O relato do Majjhima-Nikaya descreve a experiência da noite do Despertar por meio da exposição sucessiva dos quatro jhana — dhyana em sânscrito — seguida do desvelamento da sapiência em três formas, constituindo o núcleo da experiência de Gautama.
Primeira absorção — jhana —: “Detachado dos prazeres dos sentidos, detachado das más disposições, entrei e permaneci na primeira absorção, munida de atenção e análise, nascida do desapego, impregnada de alegria e felicidade — mas o sentimento agradável de felicidade permaneceu em mim sem aniquilar a consciência.”
Segunda absorção: “Com a eliminação da atenção e da análise, entrei e permaneci na segunda absorção — alegria interior, o coração unificado, sem atenção nem análise, alegria e felicidade nascidas do samadhi — mas o sentimento agradável de felicidade permaneceu em mim sem aniquilar a consciência.”
Terceira absorção: “Com o desaparecimento da alegria, permaneci equânime, atento e vigilante, e experimentei em meu ser a felicidade da qual os místicos dizem: 'equânime, atento, ele reside na felicidade' — mas o sentimento agradável de felicidade permaneceu em mim sem aniquilar a consciência.”
Quarta absorção: “Com o abandono da felicidade, o abandono da dor e a abolição do bem-estar e do mal-estar anteriores, entrei e permaneci na quarta absorção, sem dor nem felicidade, que é equanimidade, vigilância e pureza perfeita — mas o sentimento agradável de felicidade permaneceu em mim sem aniquilar a consciência.”
Com o coração recolhido, purificado, claro, isento de manchas, flexível, maleável, estável e inabalável, o Buda orientou sua consciência para o conhecimento das vidas anteriores — primeiro conhecimento obtido na primeira vigília da noite.
Terceiro conhecimento — obtido na terceira vigília —: “Compreendi perfeitamente: isto é o sofrimento, esta é a origem do sofrimento, esta é a supressão do sofrimento, este é o caminho que conduz à supressão do sofrimento… Minha consciência se libertou do fluxo do desejo, do fluxo do devir, do fluxo da ignorância. Minha consciência libertada, soube que estava libertado… a ignorância estava dissipada, o conhecimento nascido, as trevas dissipadas, a luz nascida.”