DHYANA

LE TCH’AN (ZEN). RACINES ET FLORAISONS. Paris: Les Deux Océans, 1985

[Após o estudo da Sapiência, eis um extrato do capítulo 5 proposto antes daqueles do capítulo 4, que virão em seguida, pois ele define o estado de recolhimento que a escola chama tch’an ting, dhyana-samadhi, e cuja relação com a Sapiência constitui o tema do capítulo 4.]

Amigos esclarecidos, que significa “estar sentado em dhyana”? Segundo essa Porta do Dharma, estar livre de todos os obstáculos, permanecer estranho a todo estado bom ou mau e sem que os pensamentos se elevem: isso é o que se chama “estar sentado”; a visão de nossa natureza própria sem turbulência: isso é o que se chama dhyana.

Amigos esclarecidos, que significa tch’an ting? Estar desprendido de todos os sinais distintivos no exterior: isso é o dhyana. Não possuir perturbação no interior: isso é o samadhi. Quando, exteriormente, apega-se aos sinais distintivos, a perturbação nasce no coração; mas, se se está desprendido dos sinais distintivos no exterior, o coração cessa imediatamente de ser perturbado. Nossa natureza fundamental é por si mesma pura e imutável, mas basta que o pensamento apreenda os objetos para que surja a perturbação. Se se veem as coisas sem que o coração se perturbe, isso é o verdadeiro samadhi.

Amigos esclarecidos, desprender-se dos sinais distintivos no exterior: isso é o dhyana; não possuir perturbação no interior: isso é o samadhi. Dhyana quanto ao exterior e samadhi quanto ao interior: isso é o dhyana-samadhi. O Sutra da disciplina do bodhisattva diz: “Da raiz à folhagem, nossa verdadeira natureza é clara e pura”.

Amigos esclarecidos, de instante em instante realizai a pureza imaculada de vossa natureza própria. Praticando e exercitando-se, cumpre-se a Via do Buda.