NHAT HANH, Thich. Cracking the walnut: understanding the dialectics of Nagarjuna. Tradução de Sister Annabel Laity. Palm Leaves Press, 2023.
2. Condição da semente, condição da continuidade,
objeto do conhecimento como condição e condição de apoio:
Essas quatro condições dão origem a todos os dharmas,
e não há uma quinta.
Este verso apresenta as quatro condições tomadas como razão para o surgimento de todos os fenômenos, ensinamento refinado pela escola Sarvastivada no noroeste da Índia e posteriormente exposto no Abhidharmakosa-sastra do século IV d.C., sendo também adotado pela escola da Manifestação-apenas — Vijñaptimatra.
Condição-semente (hetu-pratyaya)
A condição-semente é a primeira e principal condição, assim como a semente do milho é a causa primária ou fundamental da planta do milho, e o caractere chinês para “causa” — que se parece com quatro paredes limitando algo grande em seu interior — ilustra como algo vasto permanece oculto por um pequeno invólucro até que outras condições permitam que se manifeste.
Uma semente de girassol é extremamente pequena, mas contém em seus limites uma planta muito maior; com o tempo, graças ao solo, à água e à luz solar, as paredes que a constrangem são removidas e ela tem a chance de crescer.
Nenhum dos termos ingleses usados para traduzir hetu-pratyaya — condição-semente ou causa-chefe — captura o pleno significado do termo em sânscrito.
Condição de continuidade (samanantara-pratyaya)
A condição de continuidade designa a cadeia ininterrupta em que algo que vem antes é condição para aquilo que vem depois, de modo que, se o elo anterior não existe, o seguinte não pode advir.
O termo chinês para essa condição — que significa “ordem” ou “consequencialidade” — expressa que algo precede e algo sucede; o termo sânscrito significa “imediatamente contíguo”, cuja tradução literal é “completamente sem intervalo”.
Um instante passado é condição para o instante seguinte; se os pais não existissem, os filhos não poderiam estar aqui — os pais são a condição de continuidade para seus descendentes e para a continuidade dos ancestrais.
Objeto de cognição como condição (alambana-pratyaya)
Enquanto há um sujeito, deve haver necessariamente um objeto, pois toda percepção requer sempre um objeto de percepção — e é por isso que o objeto de cognição constitui a terceira condição para o surgimento de qualquer fenômeno.
Para que o ódio e o amor surjam, deve haver um objeto do ódio e do amor; o mesmo vale para a alegria e para a tristeza.
Os caracteres chineses para essa condição podem ser expressos de forma simples ou em sua forma completa, ambas indicando a relação entre o que percebe e o que é percebido.
Condição de suporte (adhipati-pratyaya)