A crítica budista à definição essencial das coisas estabelece que nenhuma essência pode ser expressa, sendo todo conhecimento conceitual apenas relacional e definido negativamente por exclusão
A tradição aristotélica e os realistas indianos são mencionados ao defenderem essências como “fireness”.
A definição de algo como “não-não” exemplifica o método dialético negativo.
O nominalismo budista (apoha) é indicado como fundamento dessa abordagem.
A divisão fundamental do conhecimento em direto e indireto constitui a base da epistemologia budista, sendo percepção e inferência definidas por exclusão mútua
Dignāga é mencionado ao distinguir percepção (direta) e inferência (indireta).
A sensibilidade é definida como não entendimento, e o entendimento como não sensibilidade.
O conhecimento direto é caracterizado como não-construtivo.
A percepção é definida como cognição não-construtiva, isto é, um primeiro momento puro de sensação distinto de qualquer elaboração conceitual
Dharmottara é citado ao afirmar a obviedade da percepção como apreensão direta.
A definição é estabelecida negativamente por exclusão de interpretações errôneas.
Dignāga e Dharmakīrti são mencionados como formuladores dessa caracterização.
A análise da percepção distingue rigorosamente sua função de indicar a presença do objeto da função da imaginação que constrói sua imagem
O objeto da percepção é o particular (svalakṣaṇa).
A percepção apenas assinala presença, sem qualificação.
A construção da imagem é atribuída a uma operação subsequente.
A percepção consiste em sensação seguida de concepção, sendo apenas o primeiro instante considerado percepção propriamente dita
O momento inicial é descrito como núcleo sensorial puro.
Os momentos posteriores são mnemônicos e conceituais.
A relação temporal “seguido de” é central para a definição.
A realidade do instante de pura sensação é defendida como condição transcendental de todo conhecimento, embora não seja representável empiricamente
Dharmakīrti propõe um experimento introspectivo.
Entidades metafísicas são rejeitadas como inacessíveis.
A sensação pura é descrita como limite mínimo da realidade cognitiva.
O experimento introspectivo demonstra a distinção entre sensação pura e imagem conceitual ao suspender toda atividade mental discursiva
A observação de um campo de cor é usada como exemplo.
A incapacidade de nomear durante a sensação indica ausência de conceito.
Bergson é mencionado em analogia com esse experimento.
A sequência cognitiva descrita mostra a passagem da sensação pura à nomeação e ao juízo, evidenciando a natureza mnemônica dos conceitos
Kamalaśīla descreve o surgimento progressivo de qualificações.
A atenção é indicada como fator de transição para o conceito.
A percepção inicial é caracterizada como totalmente indeterminada.
A distinção entre percepção e ilusão estabelece que a percepção válida deve ser não-ilusória, embora o conceito de ilusão possua múltiplos sentidos
Dharmottara critica a redundância da definição.
Distingue-se entre ilusão transcendental e empírica.
O exemplo da visão dupla por doença ocular é apresentado.
A introdução da não-ilusão visa garantir o contato com a realidade última na sensação pura, distinguindo-a das construções subjetivas
A sensação pura é descrita como não-subjetiva.
Conceitos e inferências são considerados ilusórios transcendentalmente.
A distinção reforça o caráter não-construtivo da percepção.
O debate sobre a inclusão da não-ilusão na definição revela divergências entre Dignāga e Dharmakīrti quanto ao estatuto da percepção
Asaṅga é mencionado como introdutor do termo.
Dignāga o rejeita por redundância e ambiguidade.
Dharmakīrti o reintroduz para lidar com casos de ilusão.
A crítica de Dignāga mostra que a ilusão pertence ao intelecto e não à sensação, pois toda ilusão implica julgamento conceitual
O exemplo da árvore aparentemente em movimento é citado.
O julgamento “árvore em movimento” é atribuído ao intelecto.
A sensação pura é considerada livre de erro.
A generalização do conceito de ilusão inclui não apenas erros empíricos, mas toda a cognição conceitual como ilusão transcendental
Exemplos como miragem, inferência e memória são incluídos.
A totalidade do conhecimento empírico é considerada ilusória.
A percepção pura permanece como núcleo não ilusório.
Dharmakīrti distingue entre ilusões do intelecto e ilusões sensoriais, sustentando a necessidade do critério de não-ilusão na definição
O exemplo da corda confundida com cobra é atribuído ao intelecto.
A visão dupla persistente é atribuída aos sentidos.
Sonhos e alucinações são mencionados como casos relevantes.
A conclusão estabelece que os sentidos não julgam, mas podem influenciar o erro ao afetarem o entendimento em condições anormais
A posição é comparada à de Kant.
A distinção entre sensibilidade e entendimento é reafirmada.
A ilusão surge da interação defeituosa entre ambos.
A teoria amplia o conceito de intuição para além da sensação, incluindo formas mentais e intelectuais de conhecimento direto
A percepção é redefinida como intuição em geral.
A intuição inteligível é atribuída ao santo.
A cognição humana comum é descrita como limitada.
A noção de sensação mental introduz um momento intermediário entre sensação pura e conceituação, explicando a colaboração entre sentidos e entendimento
O segundo momento da percepção é comparado a uma “sensação inteligível”.
Dignāga é citado ao abolir o sexto sentido tradicional.
A percepção resulta da sequência sensação — atenção — conceito.
A intuição inteligível do santo é apresentada como conhecimento direto absoluto, livre das limitações da sensibilidade e da construção conceitual
A omnisciência é atribuída a essa forma de intuição.
A imaginação é descrita como ilusão transcendental.
O contraste com a cognição humana limitada é enfatizado.
A tese da autoconsciência universal afirma que toda cognição é simultaneamente consciência de si mesma, sendo a consciência auto-iluminadora
Dharmakīrti afirma que toda consciência é autoconsciência.
A metáfora da lâmpada é utilizada.
A negação do “sexto sentido” e da alma substancial é reiterada.
A autoconsciência é estendida a todos os fenômenos mentais, incluindo sentimentos e volições, caracterizando a consciência como intrinsecamente reflexiva
A percepção de um objeto implica percepção dessa percepção.
A consciência é definida como autoevidente.
A distinção entre consciência e processos inconscientes é rejeitada.
A crítica às escolas realistas e sāṅkhya reafirma que a consciência não depende de uma alma substancial, mas constitui o próprio campo da experiência
O conceito de alma como substância é rejeitado.
O modelo triádico sujeito-orgão-objeto é criticado.
A consciência é apresentada como fluxo autossuficiente.