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REALIDADE ÚLTIMA

Th. Stcherbatsky. BUDDHIST LOGIC. VOL. I

MUNDO SENSÍVEL

REALIDADE ÚLTIMA (PARAMARTHA-SAT)

O real é definido positivamente como aquilo que é eficiente e negativamente como aquilo que não é ideal, sendo que o ideal corresponde ao construído, ao imaginado e ao produzido pelo entendimento, enquanto o não construído é o real.

O PARTICULAR COMO REALIDADE ÚLTIMA

Os objetos de cognição dividem-se em gerais ou universais e individuais ou particulares, sendo que apenas o particular é o objeto real, enquanto o universal é um objeto irreal ou um não objeto, um mero nome.

REALIDADE PRODUZ UMA IMAGEM VÍVIDA

Uma característica adicional da realidade última, cuja marca é a eficiência causal, consiste no fato de que ela produz uma sensação seguida por uma imagem vívida, enquanto apenas uma imagem vaga é produzida na memória pelo pensamento de um objeto ausente ou por seu nome na fala.

REALIDADE ÚLTIMA É DINÂMICA

Dharmakirti afirma que o objeto cognizado pela percepção sensorial é a essência particular daquele objeto, sendo que apenas o vívido é produzido pela presença da essência particular do objeto.

O MONADAS E O ÁTOMO

O particular último é uma realidade externa infinitesimal, e a teoria budista da matéria estabelece que os corpos físicos consistem em moléculas, as quais consistem em pelo menos oito átomos, divididos em quatro fundamentais (sólido, líquido, quente e móvel) e quatro secundários (cor, cheiro, gosto e tato).

REALIDADE É AFIRMAÇÃO

A realidade última é também denominada afirmação ou essência da afirmação, e Dharmottara afirma que “afirmação (aquela afirmação que é o contrário da negação) é a coisa”, sendo “coisa” sinônimo de realidade última.

OBJEÇÕES À TEORIA

A teoria de uma Coisa em Si foi veementemente atacada por todas as escolas não budistas e, entre os próprios budistas, pela escola Mādhyamika, para quem todas as concepções sem exceção eram relacionais, contraditórias e, portanto, irreais.

A EVOLUÇÃO DAS VISÕES SOBRE A REALIDADE

Todos os sistemas indianos de filosofia são simultaneamente doutrinas de Salvação, e o problema da Realidade Última tem portanto um duplo aspecto: ou é o elemento último da evolução da vida no Samsara, ou é a cessação eterna dessa evolução no Nirvana.

ALGUNS PARALELOS EUROPEUS

A concepção de Realidade Última na escola crítica do Budismo implica que ela representa: o particular absoluto, a existência pura, um ponto-instante no fluxo da existência, única e não relacionada, dinâmica, não extensa e não duradoura, possuidora da faculdade de estimular o intelecto para a produção de uma imagem correspondente, capaz de transmitir vividez à imagem, constitutiva da força assertiva dos juízos, e a Coisa em Si, inenarrável e incognoscível.