A primeira formação é a disciplina — shila — controlar a própria mente e o próprio ser, trazendo-os a um estado de tranquilidade por meio da prática de shamatha.
Sua mensagem básica é ser íntegro, livre de amarras, livre da mente errante e constantemente no alvo; com shila, as faculdades básicas da mente podem ser plenamente utilizadas.
A atenção plena — mindfulness — desempenha papel muito importante em shila, pois antes de se conduzir com decência é necessário manter um estado pacífico de ser.
A atitude de shila é ereta e boa — é como decidir tomar um banho: livrar-se de toda a sujeira, incluindo o odor, e lavar e passar as roupas; após um bom banho com roupas frescas, sente-se dignidade e integridade.
A moralidade, no sentido budista, é força — liberdade de todos os tipos de ataques, de sonolência, cansaço e excitação.
Há muitos níveis diferentes de shila — o primeiro nível é algo fabricado e deliberado; a partir desse nível artificial de tentar emular a possibilidade de shila, começa-se a experienciar a shila real.
É como alimentar um filhote de leão com carne: porque já teve o cheiro e o sabor da carne, quando adulto saberá automaticamente como caçar — da mesma forma, há o instinto de despertar; todos são seriam-budas, seriam-bodhisattvas — têm esse instinto.
Sem disciplina, a vida é composta de indulgências e confusões sucessivas baseadas em agressão, paixão e ignorância; o cumprimento da disciplina é baseado na renúncia, e a renúncia é inspirada pela experiência além do samsara — em tibetano ngelek: nge significa “real”, “completo” ou “verdadeiro” e lek significa “bom”, logo ngelek significa o “bem final”.