TRUNGPA, Chögyam; LIEF, Judith L. The profound treasury of the ocean of dharma. First Edition ed. Boston: Shambhala, 2013.
O Hinayana é como construir um castelo sobre a rocha — exige grande visão, disciplina e praticidade — pois sem esse enraizamento profundo seria como construir sobre o gelo: quando o gelo derretesse, o castelo desapareceria.
Não há nada de frívolo na abordagem Hinayana — tudo é muito direto e preciso, um caminho reto e estreito.
A noção Hinayana de ausência de frivolidade desempenha um papel extremamente importante em todo o caminho budista.
Por isso há necessidade de reverência e respeito pela compreensão do Hinayana.
O Hinayana é importante para a jornada espiritual porque se tem o corpo, as neuroses, o estado de ser, a mente e os padrões habituais — e é necessário trabalhar com essas coisas antes de poder avançar no caminho.
Não se deve ser ambicioso demais e rejeitar o que está ao redor.
Com o Hinayana, começa-se a ver a experiência como experiência literal: quando se prova sal, prova-se sal real; quando se torce o tornozelo, sente-se realmente o tornozelo torcido; quando se tem uma dor nas costas, experimenta-se uma dor real e direta.
Para estudar o dharma, é preciso compreender o que se está fazendo — assim como um padeiro precisa saber a quantidade certa de fermento, água e farinha, e o melhor padeiro deve saber também como o trigo foi cultivado.
Da mesma forma, é preciso conhecer a própria mente: as neuroses, as possibilidades positivas, os obstáculos e as vicissitudes.
É necessário conhecer realidades, fantasias, esperanças e ideias, bem como saber como certas situações produzem possibilidades dolorosas ou saudáveis.
Os ensinamentos do Buda são bastante realistas e pragmáticos.
Segundo o Hinayana, a vida é dolorosa, com uma ocasional centelha de prazer — nasce-se, envelhece-se, experimenta-se a doença e, por fim, morre-se.
Cada um aguarda a morte, e seja jovem ou velho, todos morrerão inevitavelmente.
Portanto, agora é o momento de fazer algo com a própria vida — não se trata de desenvolver a eternidade ou a imortalidade, nem de evitar a doença ou o nascimento.
Trata-se de fazer algo enquanto se está vivo, enquanto se respira, enquanto se pode ver a beleza da neve, das flores, do céu azul e do sol.