As quatro normas do dharma não-teísta dizem respeito a como ver a realidade: a realidade é impermanência; a realidade é sofrimento; a realidade é ausência de ego; e a realidade é paz.
Quando se pega a colher antes de comer, o encontro da colher, da comida e da mão fala dessa verdade de impermanência, sofrimento, ausência de ego e paz — tudo acontecendo ao mesmo tempo.
Ao sentar no vaso sanitário, esse processo contém impermanência, sofrimento, ausência de ego e paz; abrir uma porta — tocar a maçaneta, girá-la, puxar a porta, abri-la mais e atravessá-la — contém impermanência, sofrimento, ausência de ego e paz; tudo o que se faz na vida cotidiana — estalar os dedos, soluçar, espirrar, soltar gases ou arrotar — contém essas quatro normas do dharma.
Ao trabalhar com as quatro normas, não se está apenas seguindo o que foi ensinado — foi dada a sugestão de pensar duas vezes; a princípio, toda a ideia de ausência de ego e paz pode parecer absurda, mas se se pensa duas vezes, torna-se realidade; isso é chamado de renúncia.
As sugestões são estranhamente projetadas para manter o ser longe de professores ou de qualquer tipo de autoridade — embora as duas primeiras normas possam ser ensinadas por um professor teísta, a terceira e a quarta não podem, porque para alcançar a ausência de ego e a paz é necessário pensar por si mesmo, sem nenhuma ajuda.