Toda tentativa de negação da consciência não faz senão tornar mais manifesta a consciência inicial que seria a origem desse discurso negador — e a consciência, como demonstraram Asanga e Vasubandhu, situa-se ao centro da questão suscitada pela Doutrina do Desperto por estar colocada no centro mais essencial da problemática humana, sendo o mérito de René
Descartes no Ocidente o de ter compreendido, ignorando as riquezas metafísicas do Yogacara, que do ato de duvidar das coisas — o mais radical que se possa pensar — resulta a única verdade a que se pode assentir: que duvidando se pensa e que não se pode negar que se duvida.