O objetivo búdico primordial consiste no conhecimento da Suprema e Perfeita Iluminação, identificada como liberação e nirvana.
A conceituação da iluminação como um objetivo exterior resulta em uma percepção distorcida pela natureza discriminatória da linguagem.
As palavras geram confusão ao tentarem delimitar uma realidade que, em última instância, é inefável.
Multiplicação de termos nos sutras para tornar a questão compreensível diante da limitação do discurso.
A liberação no budismo mahaiana provém da sabedoria transcendental denominada prajna, presente em todos os seres.
A prajna caracteriza—se como uma faculdade paradoxal que é simultaneamente a sabedoria e a sua própria obra.
Identificação da prajna com os termos sambodhi, sarvajnata e nirvana.
A prajna é absoluta nas moradas do Ser e se desvanece no silêncio, revelando a unidade que o espírito costuma separar.
Atingir a Suprema e Perfeita Iluminação exige a transcendência das categorias de ser e não ser.
Compreensão de que as coisas são vazias, incriadas e não dualistas.
Conhecimento da verdade última, paramartha—satya, além do pensamento discriminatório.
Realização de atos maravilhosos e inconcebíveis de forma livre e gratuita, sem apego à utilidade.
O ideal do Bodisatva integra a iluminação ao conceito de amor universal.
O Bodisatva movido pelo amor adquire capacidades extraordinárias para proteger o mundo e purificar o coração.
Obtenção dos dez poderes e do conhecimento onicompreensivo.
Percepção instantânea do passado, presente e futuro para girar a roda do Dharma.
Poder de sustentar e inspirar.
Poder de realizar milagres.
Poder de comando.
Poder de pronunciar os votos originais e adequar a vida a eles.
Poder de beneficência.
Poder de receber os bons protetores.
Poder da fé pura e do puro conhecimento.
Poder de chegar a uma fé infinitamente iluminadora.
Poder de purificar o pensamento bodisátvico.
Poder de caminhar com fervor com a onisciência e cumprir os votos originais.
Os adeptos do
Zen reafirmam o ideal mahaiana através de votos monásticos fundamentais.
Faço o voto de ajudar todos os seres a realizar a travessia, embora seu número seja ilimitado.
Faço o voto de destruir minhas más paixões, embora sejam inesgotáveis.
Faço o voto de estudar os ensinamentos do Dharma, embora sejam inumeráveis.
Faço o voto de seguir o caminho de Buda, embora não haja outro parecido.
O Bodhichitta é exaltado no Sutra Gandavyuha como a semente da qual brotam as verdades do budismo.
Diálogo entre o peregrino Sudhana e o Bodisatva Maitreya.
O Bodhichitta é como uma semente: as verdades do Budismo brotam dele. É como um campo onde floresce a pureza.
O Bodhichitta é como a terra: suporta tudo. É como a água: limpa o lodo das paixões. É como o vento: sopra livremente sobre o mundo inteiro. É como o fogo: consome o que alimenta o sombrio pensamento racional.
A natureza do Bodhichitta é comparada a elementos celestiais e ferramentas de orientação.
O Bodhichitta é como o sol: ilumina tudo. É como a lua: tudo purifica. É como a lâmpada: mostra todas as coisas. É como o olho: percebe os obstáculos ao longo do caminho.
O Bodhichitta é como um caminho principal: conduz à cidade da onisciência. É como um carro: transporta os Bodisatvas. É como uma porta: abre—se sobre as ações do Bodisatva.
O refúgio espiritual proporcionado pelo Bodhichitta assemelha—se a moradas e figuras de proteção.
O Bodhichitta é como um palácio: é o refúgio onde se pratica o samadhi. É como um parque: nele se goza da verdade. É como uma morada: ali todos se resguardam. É como um refúgio: os seres que nele penetram estão a salvo.
O Bodhichitta protege os Bodisatvas como um pai; educa—os como uma mãe; cuida deles como uma babá; dirige—os como um protetor.
O Bodhichitta submete os Shravakas e os Pratyeka—budas como um rei.
A imensidão e a pureza do desejo de iluminação são relacionadas a montanhas sagradas e elementos da natureza.
O Bodhichitta é como o oceano: encerra as pedras preciosas das virtudes; é como o Monte Sumeru: eleva—se imparcialmente acima das coisas. É como o Monte Chakravada: sustenta o universo.
O Bodhichitta abunda em plantas do conhecimento como o Monte Himalaia; exala perfumes de verdade como o Monte Gandhamadana; espalha bondades como o espaço.
O Bodhichitta é puro como a flor de lótus; obediente como o elefante; livre como o cavalo; protege o Mahaiana como um condutor.
A compreensão meramente intelectual é insuficiente e estéril, assemelhando—se a sombras ou esqueletos.
O mundo inconcebível é o cenário das metamorfoses e milagres realizados pelos Bodisatvas.
Vigência da harmonia, transparência perfeita e reuniões inumeráveis.
Sublimidade dos sacrifícios, atos perfeitos e irradiantes corpos luminosos.
Prajna e Bodhichitta constituem os suportes fundamentais que transcendem o intelecto seco e a razão fria.
A prajna funciona como o olho espiritual que penetra as trevas e conduz à onisciência.
A prajna é a mãe e antepassada de todos os Budas e Bodisatvas.
Identificação da prajna com os conceitos de shunyata, tathata, bhutakoti, dharma—dhatu e dharmata.
A ausência de prajna torna inúteis as demais virtudes e impede a autêntica liberação.
A visão prânica permite ao Bodisatva perceber as coisas yathabhutam, ou seja, tais como são.
O Bodisatva assemelha—se a uma nuvem carregada de chuva que alimenta e refresca a natureza exausta.
Compreensão de que a verdadeira morada é o Tathagata—gharba, a matriz do estado de Tathagata.
O Sutra Shurangama define o espírito original do Tathagata—gharba como uma realidade que transcende elementos e sentidos.
Ensinamento de Buda dirigido ao discípulo Purnamaitrayaniputra.
O espírito original não é nem os elementos, nem os órgãos dos sentidos, nem as ideias, nem os elos da cadeia de existência.
O espírito iluminado é maravilhoso por ser idêntico ao todo e, simultaneamente, estar acima do ser e do não ser.
A natureza do Tathagata—gharba é caracterizada como Vazio, Não Vazio e Vazio—não—Vazio.
O Sutra Adaha—pranaparamita detalha as diversas formas de Vazio para desconstruir noções de ipseidade.
Menção à assistência de Hidé Oshiro para a compreensão do texto.
Vazio das coisas interiores: irrealidade dos vijnanas e ausência de ego.
Vazio das coisas exteriores: ausência de substância nos objetos dos sentidos.
Vazio das coisas interiores e exteriores: irrealidade da distinção entre interno e externo.
Vazio do Vazio: irrealidade da própria ideia de Vazio para evitar o dualismo.
Grande Vazio: irrealidade do espaço.
Vazio da Verdade suprema: ausência de aderência no ser verdadeiro das coisas.
Vazio das coisas criadas e das coisas incriadas.
Vazio Supremo: necessidade de afastar a vassoura e quem varre para atingir a ideia absoluta.
Vazio do ilimitado: transcendência das categorias de começo e fim.
Vazio da dispersão: aniquilação dos quatro skandhas — vedana, samjna, samskara e vijnana.
Vazio da natureza primordial e da personalidade: inexistência de natureza individual estável.
Vazio de todas as coisas: impermanência de caracteres como existência e objetividade.
Vazio da inacessibilidade: a prajna permite compreender que o conhecimento do sábio é, na realidade, falta de conhecimento.
Vazio do não ser: vacuidade da oposição entre natureza e ausência de natureza.
A compreensão do Vazio conduz à percepção da Tathata e ao retorno ao país natal do espírito.
Menção ao ensinamento de Huei—neng sobre olhar no Vazio.
Subhuti como o nascido em conformidade com o Tathagata.
A Tathata do Tathagata é a Tathata de Subhuti, pois a Tathata é única e sem dualismo em todos os seres.
A Tathata é descrita negativamente como uma realidade intangível, sem nascimento, sem morada e sem ação.
Trata—se de um eterno presente que escapa às definições da linguagem e do pensamento comum.
Realidade absoluta comparada à água que é água e ao ar que é ar, além do ser e do pensamento.
O Bodisatva iluminado pela prajna compreende que oposições como Samsara e Nirvana são irreais.
A disciplina búdica visa avivar a visão prânica para romper a velha lógica e dissipar as ilusões do eu.
O espírito passa a voar livremente no espaço como um pássaro.
A Palavra e a Lei são comparadas a balsas abandonadas na margem após a travessia.
Foi construída para mim uma excelente balsa. Fiz a travessia até o Nirvana; alcancei a margem oposta; atravessei a torrente das paixões. Mas a balsa tornou—se inútil: Oh, Céu, se desejas, deixa cair a chuva!
O Bodisatva permanece no mundo por amor a todos os seres sem ultrapassar o limite da realidade.
A locomoção do Bodisatva é descrita como um movimento incessante e desapegado para auxiliar os seres sensíveis.
Maitreya responde a Sudhana sobre a origem e o destino do Bodisatva.
O Bodisatva vem como se não viesse nem fosse; como se não se movesse nem se detivesse, como se não morresse nem nascesse.
O Bodisatva utiliza estratagemas hábeis para transmitir o Dharma sem pertencer ao mundo em que atua.
Recusa de recompensa e seguimento dos caminhos engenhosos de todos os Budas.
Embora veja a Shunyata, o Bodisatva não a realiza plenamente para cumprir seus votos de libertação.
É de fato muito difícil que o Bodisatva, habituando—se à Shunyata e alcançando o Shunyata—samadhi, não alcance ainda o limite da Realidade.
O ideal do Bodisatva diferencia—se dos Shravakas e Pratyeka—budas pela dedicação incondicional aos outros seres.
A divergência entre o budismo hindu e o
Zen reside na forma da linguagem e não no pensamento fundamental.
Os mestres chineses e japoneses utilizam gestos bruscos, gritos e respostas definitivas em vez de descrições acumuladas.
Exemplo do mestre que define o ensinamento de Buda através do frescor de um abanigo.
As técnicas desorientadoras do
Zen visam impedir que os homens fiquem presos no labirinto do próprio raciocínio.
A iluminação é atingida de maneira brusca, invalidando a balsa do Dharma após a travessia.
O que importa é a experiência direta e não o ensinamento teórico.
O conhecimento acumulado é insuficiente sem a experiência transformadora do despertar.
Comparação com o viajante sedento que ouve falar de uma fonte, mas não sacia sua sede apenas com o relato.
Escutar e refletir não permitem alcançar a natureza verdadeira da prajna—paramita.
Tai—huei afirma que o
Zen carece de palavras e que o Satori contém tudo.