Grande parte da terminologia hermética do budismo
Zen é oriunda do vocabulário taoísta.
Identificação do
Zen na China pelo nome de
Tch’an.
Natureza do
Zen como uma forma chinesa de budismo em sua origem.
O
Tch’an caracteriza—se como uma transformação do budismo mahayana e simultaneamente uma extensão do taoísmo.
O terceiro volume de Ensaios sobre o budismo zen de
Suzuki apresenta passagens dos sutras Prana—paramita e Gandavyuha.
A resposta presente nos sutras evoca a Torre Vairochana como a morada de Maitreya e de todos os iluminados.
Inclusão de todos os Bodhisatvas do passado, presente e futuro na referida morada.
A Torre é a morada onde habitam em meio a delícias aqueles que compreendem a significação do Vazio, do Sem Forma, da Não Vontade; compreendem que todas as coisas se acham além da discriminação, que o Dharmadhatu está desprovido de separatividade, que existe um mundo de seres que não se acham ao nosso alcance, que todas as coisas são não nascidas.
A definição de realidades sublimes por meio de conceitos negativos constitui um traço predominante tanto no pensamento de Lao—tse quanto no realismo do
Tch’an.
A biografia de Lao—tse é composta por elementos legendários e registros do Che—Ki, datados do século I antes de Cristo.
Identificação do sábio como Li Eul, com nascimento estimado em 570 a.C. e morte em 479 a.C.
Contemporaneidade e encontro lendário com Confúcio.
Relato de Confúcio que descreve Lao—tse como um dragão ao comparar a sabedoria convencional com a sabedoria paradoxal mística.
A tradição atribuiu a Lao—tse o nome Yuen Hoang Ti quase mil anos após sua morte.
Os dados biográficos indicam que o sábio exerceu a função de arquivista na corte dos Tcheu antes de seu desaparecimento.
O surgimento do Tao—te—King vincula—se à viagem de Lao—tse para o Oeste e ao encontro com o guardião Kuan Yin.
O Tao—te—King é composto por oitenta e um capítulos breves divididos entre o Livro do Caminho e o Livro da Virtude.
Termo King como equivalente chinês de sutra ou livro sagrado.
Significado de Tao como o caminho ou a via.
Significado de Te como a virtude ou excelência moral.
As traduções da obra variam entre o literal e o espiritual devido à dificuldade de encontrar equivalentes para os ideogramas em línguas europeias.
O Velho Filósofo apresenta um autorretrato célebre em sua obra que contrasta sua natureza com a agitação da multidão.
Todos os homens estão cheios de ardor, exaltados como para um banquete, semelhantes aos que realizam uma ascensão na primavera. Eu apenas estou sossegado, sem reações, como o recém—nascido que ainda não sorri, errante, sem desígnio, sem objetivo.
Os demais homens possuem coisas supérfluas; apenas eu sou um deserdado; meu coração é o de um pobre de espírito, problemático, confuso. O homem saído da multidão está iluminado; eu vivo acorrentado na penumbra. O homem saído da multidão é preciso, perspicaz; apenas eu estou recolhido sobre mim mesmo, em movimento como o mar, flutuando sem descanso. A maioria dos homens é útil; apenas eu sou um inepto, semelhante a um pária.
Distingo—me dos demais homens porque venero a Mãe Nutriz (o Tao).
A sabedoria não é identificada com o êxito ou a força, mas sim com a obscuridade e a aparente debilidade.
A representação tradicional de Lao—tse exibe um ancião de grandes orelhas como símbolo de sabedoria em atitude de desprendimento.
Os mestres do
Tch’an adotam posturas semelhantes ao rejeitar a intelectualidade e a busca pela coerência lógica.
O divino e a virtude são considerados realidades que transcendem as possibilidades do discurso e do raciocínio.
O conceito de Tao é integrado ao reino das coisas inconcebíveis descritas nos sutras mahayana.
A filosofia do Tao fundamenta—se em princípios negativos como o vazio e a ausência de desejo e ação.
O Tao designa a origem impensável de todas as coisas sem estar separado dos entes que suscita.
É um ser indeterminado em sua Perfeição, que existia antes do céu e da terra, impassível, imaterial. Subsiste único, imutável, onipresente, imperecível. Pode—se considerá—lo como a Mãe do Universo. Ao desconhecer seu nome, designo—o com a palavra Tao. Esforçando—se por qualificá—lo, pode—se dizer que é grande, que sendo grande foge, que ao fugir se afasta e que ao se afastar, retorna.
A essência do Tao reside no Wu—Wei ou princípio do não agir entendido como a perfeição da ação espontânea.
O Sábio aspira a uma forma de inconsciência que representa a consciência suprema e imediata do real.
A recuperação da frescura da infância é uma virtude fundamental que permite a percepção sem a interferência da vontade.
Os Sábios da antiguidade são descritos por meio de metáforas que ressaltam sua natureza misteriosa e profunda.
Os Sábios perfeitos da Antiguidade eram inalcançáveis, sobrenaturais, misteriosos, penetrantes, e tão profundos, que não se chegava a conhecê—los. Como não se podia conhecê—los, era preciso contentar—se em descrevê—los.
Eram precavidos como quem atravessa um rio no inverno; prudentes como quem teme seus vizinhos; reservados como quem recebe hospedagem; eclipsados como o gelo fundido; simples como a madeira sem polir; vazios como um vale; agitados como a água lamacenta.
O Tao reconcilia os opostos e nega a validade dos esquemas dualistas do pensamento.
Para o Tao, o luminoso é como o obscuro; avançar é como retroceder; o estranho é igual ao familiar. Para a suprema Virtude, a elevação é similar ao abatimento, o candor é igual à vergonha, a generosidade é como a parcimônia, a virtude provada se parece com a perversidade, a honradez com a improbidade e a veracidade simples com a duplicidade de intenções.
Como um grande quadrado sem ângulos, um grande vaso inacabado, uma brilhante melodia silenciosa ou uma enorme imagem sem contornos, o Tao está oculto e carece de nome, apesar do que sua Virtude sustenta e proporciona sua culminação a tudo.
O mestre do
Tch’an e do
Zen atua segundo sua própria natureza sem se conformar a imagens ideais pré—estabelecidas.
A atitude mahayana coincide com o taoísmo na desconfiança da inteligência conceitual e na exaltação do Dharma.
Ali está a morada daqueles que pregam o Dharma, que só se encontra raramente; daqueles que desfrutam do Dharma, que resulta difícil de compreender, profundo, não dualista, sem forma, sem oposição a nada, além do que se pode obter; daqueles que vivem na bem—aventurança enquanto sua compaixão abrange todos os seres; daqueles que não se refugiaram no reino de todos os Shravakas e dos Pratyekas—budas, onde se reúnem todas as virtudes Paramita, onde todos os Budas gozam de seus confortáveis aposentos.
A Torre Vairochana simboliza o lugar místico e real onde ocorre a reconciliação absoluta dos opostos.
Os discípulos de Buda vivem no mundo mantendo a consciência da natureza ilusória da realidade comum.
Renúncia aos prazeres do Nirvana em favor da salvação universal de todos os seres.
Reconhecimento do tempo como um momento simultâneo de um presente infinito.
Prática de virtudes como domínio de si, caridade e paciência aliada ao domínio do prana e da sabedoria transcendental.
A realidade para os mahayanistas é identificada como o vazio que exalta Lao—tse em contraste com o nada absoluto.
Os vasos são feitos de argila, mas graças ao seu vazio são úteis. Uma casa é perfurada por portas e janelas e é seu vazio que a torna habitável.
O ser produz o útil, mas é o não ser que o torna eficaz.
O Vazio justifica condutas fundamentais como o não lutar e o ensinar sem a utilização de palavras.
A noção de vazio é desenvolvida no
Tch’an por meio do u—hsin de Bodhidharma e do u—nien de Huei—neng.
Menção à visão do Sereno e do Abissal em Tao—Sin conforme
Suzuki.
Significados do termo hsin como espírito, coração ou princípio regulador.
Significado de nien como pensar ou recordar.
Obter o inconsciente ou u—nien implica na percepção das coisas como elas são sem vínculos de apego subjetivo.
Significa ver todas as coisas tal como são e não se sentir ligado a nenhuma delas; estar presente em todas as partes e não se estabelecer em nenhuma; permanecer continuamente na pureza da própria natureza; deixar que os seis sentidos ladrões fujam pelas portas dos seis sentidos ao mundo dos objetos dos seis sentidos sem se contagiar em absoluto, mas também sem fugir dali; em definitiva, significa conservar a total liberdade de ir e vir. Significa conseguir o Prana—samadhi, adquirir o domínio de si, alcançar a emancipação, e isto equivale a viver o Inconsciente. Quem compreende a lição do Inconsciente possui um conhecimento acabado de todas as coisas. Quem compreende a lição do Inconsciente abre os olhos ao reino do Buda total. Quem compreende os ensinamentos abruptos do Inconsciente alcança o estado de Buda.
Termos negativos indicam que o conceito é compreendido em seu grau máximo de perfeição e desapego.
As tradições búdica e taoísta fundem—se nos ensinamentos de Huei—neng embora nenhum pensamento se reduza a seus antecedentes.
A meditação de
Wei Wu Wei ressalta a natureza invulnerável e intangível do eu em oposição à objetividade.
Por muito que acreditemos que o que somos é objetivo. Por muito que pensemos que poderia haver em nós algo de objetivo. Por muito que não nos pareça ridícula a ideia de que poderia haver algo de objetivo no que somos. Por muito que pronunciemos a palavra Eu com a ideia de que poderia ter algum tipo de entidade. Por muito que não seja o Invulnerável Eu, o Eu Intangível, o Eu Inominável, o Eu Inconcebível quem atua diretamente. Estamos limitados.
O redescobrimento do rosto original é vinculado à libertação das finitudes abomináveis contra as quais Buda se rebelou.
A servidão humana decorre da crença em uma existência pessoal objetiva e separada da totalidade do real.
O Prana—paramita—hridaya—sutra descreve o diálogo sobre a indissociabilidade entre aparência e não ser no Monte dos Abutres.
Interação entre o Triunfador da Ilusão e o Bodhisatva Avalokiteshvara sob o testemunho de Shariputra.
Tal é a visão do Bodhisatva: Os cinco agregados serão conhecidos como não ser. Aparecer será conhecido como não ser, e não ser será conhecido como Aparência. Aparecer será conhecido como não separado de não ser, e não ser, como não separado da Aparência. Perceber será conhecido como não ser, e não ser será conhecido como Percepção. Perceber será conhecido como não separado de não ser, e não ser, como não separado da Percepção. Do mesmo modo também: Conceber, Conhecer, ser consciente, serão conhecidos de maneira que cada um seja percebido como não ser, e não ser, percebido como cada um. Oh, Shariputra, a visão do não ser é incriada, indestrutível, nem simples nem composta, nem limitada nem ilimitada.
Negação da realidade de órgãos sensoriais, sofrimento, morte ou saber interpretativo na visão transcendental.
Prana é definido como sabedoria transcendental e conhecimento interior que fundamenta todas as realidades e pensamentos.
Prana é Sambhodi, prana é Sarvajnata, prana é Nirvana, prana é Tathata, prana é Chitta, prana é Buddhata; considerado em si mesmo, prana é o Inacessível por excelência e o Impensável por excelência. E tanto o Inacessível quanto o Impensável estão na base de todas as realidades e pensamentos.
Os discursos de Huei—neng sobre o Prana confirmam a interconexão das visões taoísta e mahayana no seio do
Tch’an.
Crítica à curiosidade ocidental que privilegia as formas externas do
Zen em detrimento de sua tradição fundante.
A essência do
Zen reside na preservação e estudo dos textos fundamentais da grande tradição oriental.
Citação do Tao—te—King e dos sutras
Lankavatara, Gandavyuha e Prana—paramita—hridaja como fontes do espírito do
Zen.