O Satori constitui a essência do
Zen e representa o despertar ou a conversão definitiva que os mestres buscam provocar nos discípulos.
A definição do Satori é considerada uma tarefa impossível devido à natureza puramente vivencial do despertar espiritual.
Alusão a fórmulas tradicionais como a abertura da flor do espírito, a retirada da barreira e a transmissão do selo espiritual.
Metáforas da transformação da serpente em dragão e do cão em leão de juba dourada.
Descrição do fenômeno como um cataclismo que antecede o novo nascimento e aviva a visão prânica.
A natureza indizível do Satori é atestada pelos testemunhos de grandes mestres compilados nas obras de
Suzuki.
Referência aos relatos de Kao—feng, Hakuin e Fo—Kuang.
Uso de textos biográficos para meditação e compreensão da experiência incomunicável.
A experiência de Kao—feng iniciou—se com a meditação sobre o koan do retorno de todas as coisas ao Um.
Tensão espiritual constante perante o enigma sobre o destino final do Um.
Estado de paralisia e solidão absoluta descrito como estar preso com visgo.
Perda da consciência do mundo exterior em uma atitude semelhante à de um idiota.
O despertar de Kao—feng ocorreu ao ler versos de Fa—ien sobre a longevidade e o movimento do velho bondoso.
A iluminação provocou a dissolução do muro entre o sujeito e o mundo permitindo a compreensão clara de todos os koans.
Citação — Ocorreu como se o espaço infinito tivesse estourado em pedaços, como se a vasta terra tivesse desaparecido. Esqueci—me e esqueci o mundo; foi como um espelho no qual se refletisse outro.
Penetração definitiva no Dharma—dhatu.
Hakuin atingiu a experiência iluminadora ao dedicar—se assiduamente ao koan de Tchao—tcheu sobre a natureza de Buda no cão.
O estado meditativo de Hakuin assemelhava—se ao isolamento absoluto e ao congelamento em um campo de gelo infinito.
A quebra do estado meditativo resultou na certeza absoluta e na identificação com o mestre Iien—t’eu.
Fo—kuang despertou o homem original após anos de concentração no som de um tabuleiro.
Descrição do universo como a manifestação do próprio som U.
Citação — Oh, quão grande é o Dharma—kaya! Quão grande e imenso por todo o sempre!
Compreensão da unidade entre a própria individualidade e o corpo da lei através de uma alegria perene.
O processo rumo ao Satori envolve etapas sucessivas de meditação e morte de si mesmo para atingir a alegria da libertação.
A irracionalidade define o Satori como um fenômeno súbito que purifica a percepção humana além do intelecto.
Impossibilidade de explicação por meio do raciocínio lógico ou do mérito pessoal.
Purificação da visão comparada à clareza de uma paisagem após a chuva.
Reconhecimento da verdadeira natureza alheia através da transparência do rosto.
A visão intuitiva revela a natureza de Buda e a unidade fundamental entre todos os seres e objetos.
Percepção da fragilidade e força em todos os entes da natureza.
Citação — Antes que Abraão existisse, eu Sou.
O saber obtido no Satori possui autoridade categórica e irrefutável semelhante ao gosto do chá.
A afirmação positiva do Satori transcende as limitações negativas da linguagem e as divisões do dualismo.
Compreensão do Vazio, do Sem Forma e da No Voluntad como realidades vivas.
Identificação das coisas como não nascidas e desprovidas de separatividade no Dharma—dhatu.
O sentido do além consiste no retorno à harmonia universal onde o indivíduo se torna Buda.
O tom impessoal da iluminação transfigura o corpo em uma estrutura sensível às forças universais.
Citação de Blake — A energia é o deleite eterno.
Corpo transfigurado, permeável e sensível, despojado de interesses puramente pessoais.
O sentimento de exaltação une a alegria individual à compaixão búdica na Torre Vairochana.
Desaparecimento do dualismo pela interpenetração absoluta com o real.
Citação — A Torre é a morada dos filhos da iluminação (…) que vão daqui para ali no Dharma—dhatu, sem amarras, sem depender de nada, sem habitação, livres de carga, como o vento que sopra, e sem deixar rastro de sua peregrinação.
Retorno ao mundo do sofrimento motivado pelo Bodhichitta para a salvação dos desafortunados.
A instantaneidade do despertar independe do tempo de prática espiritual acumulado ou da lógica humana.
As técnicas bruscas operam mecanicamente para colapsar o pensamento discriminatório e forçar a percepção imediata da realidade.
Uso do grito ou do abano para interromper o fluxo do parikalpa e ativar a visão prânica.
Funcionamento mecânico que destrói a balsa do Dharma para garantir o desembarque na outra margem.
Colapso da lógica racional para permitir a visão das coisas yathabhutam.