BÉHAR, Pierre. Les langues occultes de la Renaissance: essai sur la crise intellectuelle de l’Europe au XVIe siècle. Paris: Desjonquères, 1996.
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A doutrina dos caracteres astrais retirados dos quadrados mágicos constitui um dos dispositivos técnicos centrais da magia celeste em Agrippa.
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Os caracteres não são signos arbitrários.
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Eles derivam de estruturas numéricas consideradas intrinsecamente ligadas aos planetas.
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A aritmética torna-se fundamento oculto da operação mágica.
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Os quadrados mágicos planetários fornecem a matriz desses caracteres.
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Cada planeta possui um quadrado próprio, determinado por um número específico.
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A disposição dos números obedece a regras fixas, garantindo a igualdade das somas.
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A harmonia matemática reflete a ordem celeste do astro correspondente.
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Os caracteres são extraídos graficamente dos quadrados.
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Linhas são traçadas ligando números segundo ordens determinadas.
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O desenho resultante constitui o caráter planetário.
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A figura conserva, sob forma visível, a estrutura invisível do quadrado.
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A eficácia dos caracteres depende de sua origem numérica.
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O número é considerado princípio ontológico.
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A forma gráfica participa da virtude do número.
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O caráter atua como condensação simbólica da potência astral.
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Os caracteres não funcionam isoladamente.
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Eles devem ser associados ao nome do planeta.
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Frequentemente são combinados com nomes angélicos e divinos.
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A convergência de número, nome e figura intensifica a operação.
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A inscrição dos caracteres segue regras rigorosas.
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O suporte material deve corresponder ao planeta.
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O momento da gravação deve respeitar o tempo astral adequado.
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A figura só se torna eficaz quando inscrita em conformidade total com o céu.
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Os caracteres atuam como selos.
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Eles fixam a influência astral num objeto determinado.
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O selo impede a dissipação da virtude celeste.
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O objeto selado torna-se veículo estável da potência planetária.
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A relação entre matemática e magia é explícita.
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Os quadrados planetários reforçam a concepção do universo como ordem inteligível.
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O mundo é governado por proporções.
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A regularidade numérica garante a eficácia da operação.
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Conhecer os números equivale a conhecer as leis ocultas da natureza.
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Essa técnica aproxima ciência e magia.
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A matemática fornece legitimidade racional.
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A figuração transforma o cálculo em instrumento operativo.
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A distinção entre especulação e prática é dissolvida.
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Os caracteres retirados dos quadrados revelam uma ambição totalizante.
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A magia pretende dominar o céu por meio do número.
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O cosmos aparece como sistema formalmente decifrável.
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A operação mágica surge como continuação técnica da ordem universal.
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Essa doutrina intensifica as ambiguidades do sistema de Agrippa.
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O número assume um estatuto quase divino.
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A confiança na eficácia formal cresce ilimitadamente.
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O risco de reduzir o espiritual a esquema operativo permanece constante.