O céu da Divina Comédia, composto de círculos cabalísticos divididos por uma cruz com uma rosa no centro, apresenta pela primeira vez de modo público e quase categoricamente explicado o símbolo dos Rosa-Cruz, símbolo que aparece também, de modo um pouco menos claro, no Roman de la Rose.
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Éliphas Lévi considera o Roman de la Rose e a Divina Comédia formas opostas — mais precisamente complementares — de uma mesma obra.
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Para Éliphas Lévi, as duas obras constituem iniciação à independência do espírito, sátira das instituições contemporâneas e fórmula alegórica dos grandes segredos da Sociedade dos Rosa-Cruz.
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A denominação “Rosa-Cruz” ainda não existia na época, e a organização não foi nunca, salvo em ramos tardios e mais ou menos desviados, uma “sociedade” constituída com todas as formas exteriores que a palavra implica.
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A independência intelectual não era na Idade Média tão excepcional quanto os modernos imaginam, e os próprios monges exerciam crítica muito livre, cujas manifestações aparecem até nas esculturas das catedrais.
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Esse aspecto crítico não tem nada de propriamente esotérico, e há nessas obras algo muito mais profundo.
Éliphas Lévi assinala que essas manifestações do ocultismo coincidem com a época da queda dos Templários, sendo Jean de Meung ou Clopinel contemporâneo de Dante e florescendo na corte de Filipe o Belo.
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O Roman de la Rose é, segundo Éliphas Lévi, um livro profundo sob forma leve, revelação tão sábia quanto a de Apuleio acerca dos mistérios do ocultismo.
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A rosa de Flamel, a de Jean de Meung e a de Dante nasceram sobre o mesmo rosal.