A manifestação da aptidão da Natureza em integrar as sombras e permanecer potência de sombreamento agudiza o problema do estatuto da Arte hermética, a qual é constantemente suspeita de pretender o título de sabedoria plena à imagem da fecundidade conjunta da Natureza e da Arte, tal como um tratado atribui ao sábio a capacidade de trazer nos braços o céu com a terra, abraçando-os com o espírito vivo, conhecendo o presente, evocando o passado e apercebendo o futuro. A descoberta da Quinta-Essência, considerada pelos alquimistas como a raiz da vida e finalidade da Obra, suscita a interrogação sobre se esta favorece a compreensão do mistério da Trindade formulada no Ocidente como Pai, Filho e Espírito Santo ou se, ao autonomizar-se, interdita a manifestação sempre sobrenatural numa alma e num espírito adquiridos à sua sabedoria. Jung considerou que na alquimia encontra-se oculta uma meditação ou uma espécie de ioga secreto dissimulado com o maior cuidado por temor à heresia e às suas consequências duvidosas, parecendo de fato que um cristianismo desconfiado de toda magia natural e cortado das realidades ctônicas apenas aprofunda o fosso entre alquimia e teologia, separando as luzes natural e divina que
Paracelso lutou desde o século XVI para manter associadas.