Diferentemente de Hegel, onde a dialética encontrava seu dinamismo natural na metáfora do germe tornando-se flor e fruto numa dinâmica lateral que oblitera a verticalidade da relação Céu-Terra, a equilibração buscada por Baader entre Natureza e Sobrenatureza encontra na parábola da raiz e do caule sua expressão mais justa, substituindo a triangularidade hegeliana de Alma, Natureza e Espírito absoluto por uma relação quadrangular entre Deus, Homem, Espírito e Natureza. Dois tropismos diferentes fazem o homem voltar-se, como uma planta, tanto para a sua implantação obscura quanto para a luz solar símbolo do divino, sendo que a confusão destes dois elãs entravaria a libertação de toda Natureza, cujo acesso ao espiritual concreto necessita do reconhecimento do caráter vital de todo enraizamento. O alquimista deve buscar inverter o movimento tantalizante e perverso do homem separado de Deus que apenas separa confundindo em vez de distinguir unindo, exigindo o pensamento de Baader um ajuste sutil entre os diferentes centros chamados a operar conjuntamente: Deus, Naturcentrum e o sentido interior revelado ao homem. O relatório simbólico raiz-caule-sol posto em obra por todo verdadeiro poeta, figurado em Orfeu, é filosoficamente mais importante que a passagem do oculto ao revelado, pois permite a todo centro natural tornar-se foco de irradiação e vivificação, de modo que onde Ixion contamina a Criação, Orfeu encontra a justa vibração que faz do enraizamento também uma elevação.