A adesão ao adágio solve et coagula como o sésamo de uma via ponderada entre o pan-alquimismo e o rigorismo quasi confessional
A definição do pan-alquimismo: a alquimia está onde algo se transforma, se casa, transita de um estado a outro
A definição do rigorismo: falar de alquimia fora dos quadros corporativistas da Alquimia tradicional é um non-sense e uma heresia.
A afirmação de
Paracelso: “A alquimia é o padeiro que coze, o viticultor que prensa e o tecelão em seu tear. A toda coisa natural que cresce para a utilidade do homem, a alquimia permite atingir o ponto que a natureza lhe atribuiu”
A caracterização de um paracelsismo desvirtuado que faz do termo alquimia uma palavra-passe, uma palavra-transição usada quando não se sabe o que se passa na charneira de dois fenômenos.
A pobreza filosófica e espiritual de um esoterismo verboso e emocional
A tentação de alguns escritores de associar a alquimia a todo mistério estranho ou fascinante, criando uma atmosfera de irrealidade e um esteticismo decadente.
A dificuldade de critérios para rejeitar ou conservar documentos “alquímicos”, devido à dupla eventualidade
O espírito da alquimia pode ter desertado textos “tradicionais”
Obras estranhas à “tradição” podem continuar a veicular seu espírito.
A diversidade quantitativa e disparidade qualitativas dos setores que portaram traços da antiga alquimia
A hesitação em colocar lado a lado obras-primas e os excessos de um Papus ou os “romances alquímicos” de um Jolivet-Castelot.
A virtude “filosofal” de tais proximidades: incitar o hermeneuta a se desfazer de preconceitos críticos e hierarquias qualitativas de um olhar “culto” que marginaliza partes da cultura.
A incidência da busca “isíaca” sobre a noção de “crítica”
A necessidade de uma prática de acompanhamento/espaçamento, com a dupla aptidão de “pegar fogo” e secretar o antídoto dessa combustão.
A problemática alquímico-crítica e seu convite a reconsiderar a noção de “engajamento” e a modalidade de apropriação valorizada pela prova do fogo.
A metáfora alquímica de W. Benjamin para a renovação do olhar crítico
A comparação do comentador com o químico (análise da madeira e das cinzas) e do crítico com o alquimista (o enigma da chama viva)
A definição do crítico como aquele que interroga “a verdade, cuja chama viva continua a queimar sobre as pesadas lenhas do passado e a cinza leve do vivido”.
A recusa do método de P.
Duval para destacar as “estruturas” do pensamento alquímico, inspirado em Piaget e na Gestalt
A crítica ao truísmo de que toda pensamento é uma “forma” e à assimilação da estrutura alquímica a uma Gestalt acabada em termos de “boa forma”.
A necessidade de compreender filosoficamente por que esta autorregulação necessita de uma posta em forma – “em Obra” – para ser a chave da transmutação.
A caracterização da “metodologia” provisória requerida
A associação da forma contínua/descontínua de todo percurso labiríntico com a densidade de uma “matéria” trabalhada em profundidade
A constituição da Figura típica e plástica para evitar que a hermenêutica filosofal degénere em semiótica.
A inversão dos dados cartesianos: a metodologia deve permanecer provisória para que a ética (deontologia espiritual) possa presidir à orientação da tribulação inédita.
O texto-parcurso de
Novalis sobre a mineração como símbolo da existência humana e programa de ode ao aleatório
A descrição da descoberta tâtonante de um traço que se impõe como Figura em um espaço desconhecido.
A ênfase na coeducação do poeta e da terra, na “missão” de “educar a terra”.
A ignorância deliberada do pensamento conceitual sobre a “materialidade” da terra-minera como espaço de exploração “natural” ativado pela condução da Grande Obra.
A necessidade, para todo percurso alquímico, da descida na mineração, equivalente filosofal da caverna platônica
A descoberta de uma forma de discriminação em contato com a rigueur da terra, uma Figura que é também veio condutor.
A concepção da Figura como um estado intermédio da figuração, entre o informe e uma forma essenciada (conceito ou arquétipo)
A orientação dos filósofos para o conceito e dos alquimistas para um “corpo” glorioso, fiel à terra.
A oportunidade oferecida pela hermenêutica filosofal de repensar as relações continuidades/descontinuidades, centro/periferias na perspectiva de uma autorregulação “sistêmica” aspirando a uma “saúde” incorruptível.
A especificidade da autorregulação alquímica: a transmutação dos elementos parasitários, sua integração e “aumento” multiplicativo do potencial universal de “saúde”.
A modificação das noções de discriminação e crítica por uma qualidade de olhar e uma “prática” específicas.
A citação de
Rilke: “Queira a transformação. Sê entusiasta, oh! da chama pela qual uma coisa te deixa, em glória de metamorfoses. O espírito da criação, aquele que se torna mestre do terrestre, ama, no ímpeto da figura, nada tanto quanto o ponto pivô”.