Karl Isikowitz, em estudos realizados na região de Orissa, na Índia, em 1952, teve a oportunidade de testemunhar a cerimônia Gotr dos Gadaba, considerada a maior e mais significativa de todas as cerimônias para esse povo.
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Os Gadaba vivem no planalto de Koraput e são agricultores e pastores responsáveis; suas aldeias são caracterizadas por um espaço central onde se erguem os megalitos ancestrais da tribo.
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A cerimônia testemunhada por Isikowitz em 10 de janeiro de 1952 havia sido fixada com precisão por cálculos astronômicos de um xamã de aldeia vizinha, dentro do ritmo do ciclo lunar.
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O ritual envolvia a colocação de pedras conforme decisão do xamã, a deposição de um ovo sobre a pedra plana, a erguida de postes de árvore de algodão de seda vermelha e o toque de tambores durante toda a noite.
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Isikowitz resumiu a cerimônia Gotr como um rito de passagem e transformador social que marca a transição entre fases da vida, isolando o sagrado como um portal ou entrada para um altar.
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Os membros do conselho assentados sobre os sodor seriam influenciados pelos ancestrais ali presentes, de modo que suas deliberações beneficiariam o povo; o poder vital dos antepassados estaria ligado às pedras e influenciaria os que viessem depois.
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A tribo vizinha Koya erguia uma pedra para determinada pessoa antes de ela partir para as plantações de chá em Assam, a fim de que o poder vital do viajante ficasse ligado à aldeia e pudesse retornar se ele viesse a morrer.
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O poder vital dos ancestrais, invisível, influencia a colheita e a saúde e reaparece no ritmo de produção, fechando o ciclo como no aterramento de um circuito elétrico; o ciclo de vida absorve a acumulação do ciclo de produção, que gera um resultado material e emite um resultado religioso, influenciando por sua vez a boa vontade das potências e afetando novamente o ciclo de produção.