O espírito de toda criatura está sempre grávido (schwanger) de um corpo no qual se representa e se reflete, e a vontade age sempre de forma orgânica como “instinto formador”.
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Há identidade entre o fervilhamento (Wallen) e o querer (Wollen) do espírito.
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Tudo o que vive e vem habitar um corpo (lieben, leben, leiben) emana do desejo andrógino (Androgynenlust), oficina ou leito nupcial secreto, impenetrável e mágico de toda vida.
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Toda criatura, em qualquer grau de vida, é ao mesmo tempo celeste e terrestre, sideral e elementar — o “sacramento da vida” só lhe é dado sob essa dupla forma.
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Não convém que o inferior faça do superior sua mulher — daí o sentido da injunção “Não farás imagem ou retrato de mim”, que equivale a dizer “Deves ser tu mesmo minha imagem e meu símbolo (Gleichnis)”.
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Tampouco convém que o superior se submeta ao inferior: não se deve servir o que se tem por tarefa dominar, nem o contrário — assim se esclarece a distinção baixeza-orgulho e nobreza-humildade.
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Não se pode separar o fato de conhecer — ligado às noções de dominação, formação e engendramento — do fato de ser conhecido — ligado à ideia de servir, ser formado e receber.
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Se o conhecimento sucumbe a seu objeto, ou seja, à matéria à qual deve dar consistência (Bestand) e sentido racional (Verstand), retorna às trevas, como faz o coração do homem cujo amor sucumbe ao pobre desejo sexual egoísta.