A hostilidade de Baader em relação à filosofia de Schelling explica-se porque esta também pode ser qualificada de hermafrodita, recaindo numa estática polaridade sem valência quaternária.
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À queda adâmica na matéria correspondem os sistemas de Spinoza e de Schelling, que representam uma culpável disponibilidade para se deixar impor qualquer vínculo com a natureza inferior.
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À soberba “espiritualista” de Lúcifer corresponde o aspecto “despótico” encontrado no sistema de Fichte e sobretudo no de Hegel.
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Em Fichte, o Eu posta sua auto-afirmação, nega Deus (que identifica ao Si) e a natureza (que identifica ao Não-Eu), negando assim a tintura feminina dentro e fora de si.
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Esse Eu não pode gerar nem para cima deixando-se fecundar pelo Verbo divino, nem para baixo fecundando a natureza; em sua necessidade sempre insatisfeita de preencher-se, choca-se continuamente com uma matriz estéril.
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Como ensina Tauler, Deus busca a criatura para nela gerar seu próprio filho; o Eu fichteano persegue sem trégua a natureza, permanecendo filho do tempo, acorrentado a uma roda de Ixião.
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O amor-próprio ou egoísmo (Selbstsucht) aparece com a perda da verdadeira Selbstheit; os políticos da época sacrificam ao fichteísmo ao “constituir” o Estado de maneira fichteana.
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Desde Fichte, o conceito de “tomar” suplantou em filosofia o de “receber”, assim como o orgulho suplantou a humildade.