O período que vai de Trajano ao último dos Severos é uma era de contrastes. Em aparência, parece que jamais o mundo antigo atingiu grau semelhante de civilização. Os fortes exércitos de Roma mantinham os Bárbaros nas fronteiras do Império. A Oikoumene estava em paz.
É a era onde os retores viajavam de cidade em cidade para pronunciar discursos de aparato ao louvor da cidade que os acolhia ou à glória do Príncipe.
O século II conheceu uma verdadeira renovação intelectual que não se deve subestimar a importância na história do saber humano: pois são, em grande parte, escritores desta era, Nicômaco, Ptolomeu, Heron, Galiano entre outros, que determinaram a forma e os limites deste saber por mais de mil anos. Neste século, se generalizou o emprego e a noção de enkuklios paideia.
Seria injusto falar, em sentido absoluto, do tempo dos Antoninos e dos Severos como de uma época de decadência. E no entanto, visto de mais perto, a decadência é certa. Porque nenhuma das obras do século II é uma obra original; imita-se ou compila-se e sistematiza-se um dado adquirido.
É preciso reconhecer que o espírito científico estava então em declínio; ou melhor a renascença do século II só retardou em aparência o declínio começado desde o século I antes de nossa era.
A decadência do espírito científico teve por correlativo um crescimento não tanto da verdadeira piedade mas de uma exaltação da piedade, uma espécie de perversão da piedade: o homem se inclinando a demanda à divindade, sob forma de revelação pessoal, aquilo que ele buscava obter anteriormente unicamente pelas forças da razão.
Esgotamento do racionalismo grego, reduzido a diferentes escolas se duelando sobre os princípios. Consequente abertura ao aporte místico irracional do Oriente. Renascença do Pitagorismo, ora como Igreja, até mesmo Ordem religiosa. Pitagorização de Platão.