Tertuliano utiliza o tema tradicional da puberdade, situado por volta dos quatorze anos segundo Aecio e a tradição romana, para introduzir uma discussão teológica sobre o pecado, baseando-se na narrativa bíblica de Adão e Eva para associar o discernimento do bem e do mal ao surgimento do pudor e da concupiscência.
Ao atacar as heresias dualistas, Tertuliano argumenta que o corpo, sendo uma coisa inanimada e um mero utensílio como um copo, não pode ser culpado pelo pecado; ele insiste que a alma é a única responsável, pois é ela que utiliza o corpo como instrumento para realizar seus desejos, contrariando a visão gnostica de que a alma é pura e o corpo é a fonte do mal.
A interpretação de Waszink sobre a frase de Tertuliano de que não há propriedade humana no homem terreno (choicus) confirma que o autor cristão está combatendo a antropologia valentiniana das três classes de homens, reafirmando que o pecado é um ato da alma, que não é totalmente divina, mas criada e passível de erro, e não uma consequência inevitável da matéria.
Para os dualistas platônicos e gnosticos, o pecado reside essencialmente na matéria e na união do Anthropos divino com a natureza física, o que implica que a alma só se contamina por sua associação com o corpo; no entanto, a gnose liberta o homem dessa condição, pois o iniciado, ao reconhecer sua origem divina, sabe que seu verdadeiro eu não peca, atribuindo as falhas aparentes apenas ao corpo material do qual já se distanciou espiritualmente.