A oposição entre hyparxis e ousia não se encontra estabelecida nos textos do hermetismo, onde o termo ousia designa frequentemente a Essência por excelência, o Deus ou o Intelecto proveniente de Deus, enquanto o adjetivo ousiodes caracteriza a parte intelectual e essencial do homem em contraste com a parte material e terrestre.
Nos tratados herméticos, a palavra hyparxis aparece com o sentido de substância ou realidade, chegando a designar a substância essencial e quase a forma das coisas, de modo que não há contradição em afirmar que o Bem se estende tanto quanto a realidade dos seres, ou que o Sol demiurgo envia a substância para baixo enquanto eleva a matéria.
A distinção rigorosa entre existência e essência desempenha, por outro lado, um papel central no pensamento de Filon de Alexandria, para quem Deus é cognoscível em sua existência, mas incognoscível em sua essência, uma doutrina fundamentada na limitação do intelecto humano que, incapaz de conhecer a própria alma, não pode pretender escrutar a Essência divina.
Filon interpreta a narrativa bíblica de Moisés entrando na nuvem e pedindo para ver a face de Deus como uma alegoria da busca filosófica pela Essência invisível e incorpórea, concluindo que ao homem é concedido apenas ver o que vem após o Ser, isto é, os corpos e objetos criados que provam a existência do Criador, mas não a sua natureza intrínseca.
O historiador Flavio Josefo apresenta um acordo doutrinário com Filon ao afirmar que Moisés revelou Deus como uno e imutável, cognoscível para nós através de seu poder ou dynamis, mas desconhecido quanto à sua natureza essencial ou ousia, sugerindo ainda que filósofos gregos como Pitágoras, Anaxágoras, Platão e os estoicos compartilhavam dessa mesma concepção.
A distinção entre conhecer a existência e ignorar a essência não é um empréstimo dos Setenta, mas um traço característico da filosofia helenística, encontrando paralelos em Cícero, que relata a divisão estoica da teologia em partes que tratam da existência dos deuses e de suas qualidades, embora o próprio Cícero e outros autores como Epicteto e Salustio defendam que tanto a existência quanto a natureza dos deuses são passíveis de conhecimento e aprendizado racional.
Existe uma vertente filosófica, representada pelo Pseudo-Xenofonte e comentada por Sexto Empírico, que sustenta que embora o consenso universal e as obras divinas atestem que os deuses existem, sua forma e essência permanecem ocultas aos homens, comparando a divindade ao Sol que, embora visível e brilhante, cega a visão daquele que tenta contemplá-lo com impudência.
A investigação filológica do termo hyparxis indica que seu uso com o significado estrito de existência ou realidade aparece tardiamente, sendo registrado em Filodemo, embora os adjetivos hyparktos e anuparktos, denotando o existente e o inexistente, já fossem empregados na terminologia filosófica de Epicuro e de Crisipo na Stoa, o que pressupõe o conceito muito antes de sua fixação textual definitiva.
A origem teórica da distinção remonta aos Segundos Analíticos de Aristóteles, que diferencia as questões sobre o fato e o porquê das questões sobre se a coisa é, o ei esti, e o que a coisa é, o ti esti, utilizando os exemplos do Centauro e de Deus para ilustrar a passagem do conhecimento da existência para a indagação da essência.
A antítese entre a existência manifesta e a essência oculta deriva provavelmente de problemas escolares debatidos em Atenas desde o século V, sendo formulada por Xenofonte nos Memoráveis através da imagem de um Deus que ordena o mundo de forma invisível, tal como a alma humana rege o corpo sem ser vista.
A aparente contradição entre as tradições que afirmam a invisibilidade de Deus e aquelas que defendem sua visibilidade resolve-se na compreensão de que Deus é invisível em sua eternidade e essência, mas torna-se o mais manifesto de todos os seres através de sua atividade criadora, sendo contemplado pelo intelecto na medida em que se revela através de todas as coisas.
Damascius, no contexto do neoplatonismo, refinaria posteriormente essa terminologia ao considerar a hyparxis como a infraestrutura simples ou a aparição no ser, enquanto a ousia representaria a confirmação no ser e a realidade perfeita na existência.