O ser regenerado é descrito como fundamentalmente diferente do homem antigo, embora sua aparência externa permaneça inalterada; o homem novo é constituído pelo Logos, sendo invisível, impalpável, sem cor ou figura e perceptível apenas ao intelecto, uma doutrina que ecoa ensinamentos de Porfírio sobre o verdadeiro eu interior que transcende o corpo sensível e só é apreendido pela mente.
Esta dicotomia entre o homem exterior visível e o homem interior real é amplamente explorada nos Atos Apócrifos dos Apóstolos, como nos Atos de Andre e nos Atos de João; nestes textos, a conversão é apresentada como um retorno ao nous e o reconhecimento da própria natureza imaterial, santa e superior às potências mundanas, onde o corpo físico e suas paixões são vistos como estranhos à verdadeira essência do ser.
O docetismo presente nos Atos de João, onde o corpo de Jesus é descrito como polimorfo e imaterial, aparecendo de formas diferentes aos discípulos e não deixando pegadas, oferece um paralelo teológico à antropologia hermética do C.H. XIII; assim como o verdadeiro Jesus não é aquele que sofre na cruz, mas o Logos impassível, o hermetista regenerado, embora pareça um homem comum sujeito às leis da matéria, é em realidade um filho de Deus imortal e alheio às aflições corporais.
Relatos nos Atos de Filipe e nos Atos de Tomé descrevem a transfiguração dos apóstolos e santos em seres de luz, cujos corpos se tornam luminosos e incorpóreos, refletindo a crença popular e teúrgica de que o homem divino, ou theios aner, pode manifestar sua verdadeira natureza ígnea e espiritual, tal como atribuído também a Jâmblico e aos brâmanes por Filostrato.