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A premissa fundamental estabelece que Deus é santo, conhecível e deseja ser conhecido, sendo percebido pelos seus caracteres próprios, ou seja, concebido através dos efeitos de sua potência e operação, embora sua essência permaneça desconhecida, conforme corroboram as interpretações de Josefo e os textos herméticos que descrevem o nous instruindo o discípulo sobre a natureza suprema.
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Apesar de Deus se revelar e querer ser conhecido, existe um paradoxo onde Ele é simultaneamente cognoscível e indizível, o que implica que o conhecimento adquirido sobre o divino opera em um modo distinto da razão normal, exigindo auxílio e graça divina para que o homem não seja frustrado na parte do conhecimento que cabe à sua essência, o que denota um caráter suprarracional dessa gnose.
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Identificam-se duas correntes no hermetismo sobre a via de acesso ao conhecimento divino: a doutrina do Deus cósmico, na qual a visão do mundo e da ordem criada permite deduzir facilmente a existência de uma Causa Eficiente que é o Bem e o Pai; e a doutrina dualista, na qual o conhecimento é árduo, pois o corpo é considerado mau e o Deus Suprêmo não possui imagem no mundo sensível, exigindo uma iluminação interior ou revelação para ser alcançado.
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Na perspectiva dualista, defendida por Reitzenstein como gnostica, a ignorância é expulsa pela chegada da Gnosis de Deus, uma regeneração onde os vícios da matéria são substituídos pelas Potências divinas, permitindo que o intelecto humano se conheça a si mesmo e ao Pai comum através de uma luz intelectual concedida pela graça.