A Vida e a Natureza são os grandes temas da filosofia paracelsista e de toda a filosofia do Renascimento: a natureza é vida, o mundo está vivo em todas as suas partes, pedras e astros, metais, ar e fogo, e o universo em sua totalidade é um rio eterno de vida.
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Esse rio se propaga e se rompe em correntes isoladas e múltiplas que se encontram, lutam e combatem, mas todas procedem de uma só fonte e vão se perder num mesmo oceano de vida.
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Paracelso não aprendeu seu sentimento da natureza nos livros nem nas doutrinas clássicas, mas principalmente em si mesmo, como ocorre com o Renascimento em toda parte.
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Para Paracelso, a natureza não é um sistema de leis nem um sistema corporal regido por leis, mas a força vital e mágica que sem cessar cria, produz e lança ao mundo novos seres, podendo tudo porque é tudo.
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A natureza é comparável ao fluxo interior da alma humana que faz surgir pensamentos, desejos e imagens: distintos da alma, todos a expressam e fazem parte dela sem ser ela.
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Não foram raciocínios especulativos mas a vida exuberante sentida em si mesmos que levou Paracelso e seus contemporâneos ao panvitalismo mágico, e as razões especulativas foram buscadas depois para fundamentar racionalmente uma atitude do espírito.
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O princípio do raciocínio por analogia em sentido vitalista levava da doutrina do homem microcosmo — centro, imagem e representante do mundo — a uma imagem coerente do universo como corpo visível do espírito invisível e expressão tangível de forças imateriais.
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Conhecer é assimilar, tornar-se em certa forma idêntico ao objeto que se quer conhecer, e não há conhecimento sem simpatia nem simpatia sem semelhança.
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Só o semelhante conhece seus semelhantes: por isso se pode conhecer interiormente o que é semelhante fora de nós mesmos.
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A tradição concordava perfeitamente com a sabedoria popular nesse ponto: ninguém pode compreender o outro se não pode em certa medida identificar-se com ele.