A. J. PERNETY. Fables egyptiennes et grecques.
Todas as nações concordavam em considerar o bode como símbolo da fertilidade; ele era o símbolo de Pã, ou o princípio fecundador da Natureza; ou seja, o fogo inato, princípio da vida e da geração. Os egípcios, por essa razão, haviam consagrado o bode a Osíris. Eusébio (De prœp. Ev. 1. 2. c. I.), ao nos apresentar um hieróglifo egípcio, nos dá a entender as ideias que esse povo tinha a respeito. De acordo com a interpretação que ele oferece; mas, prestando um pouco de atenção à descrição que faz desse hieróglifo, deve-se perceber em nosso sistema o sentido oculto que os sacerdotes atribuíam a ele. “Quando querem”, diz ele, “representar a fecundidade da primavera e a abundância da qual ela é fonte, pintam uma criança sentada sobre um bode e voltada para Mercúrio.” Eu veria nisso, ao contrário, com os sacerdotes, a analogia entre o Sol e Mercúrio, e a fecundidade cujo princípio, segundo os filósofos, está presente em todos os seres; é essa matéria — o espírito universal incorporado, princípio da vegetação — que se transforma em azeite na azeitona, em vinho na uva, em goma e resina nas árvores, etc. Se o Sol, por meio de seu calor, é um princípio da vegetação, isso ocorre apenas ao estimular o fogo adormecido nas sementes, onde permanece como que entorpecido até ser despertado e animado por um agente externo. É o que ocorre também nas operações da Arte Hermética, onde o mercúrio filosófico atua sobre a matéria fixa, na qual esse fogo inato se encontra como que aprisionado; ele o desenvolve rompendo seus laços e o coloca em condições de agir, para conduzir a obra à sua perfeição. Esse é o menino sentado sobre o Bode e, ao mesmo tempo, a razão pela qual ele se volta para Mercúrio. Osíris, sendo esse fogo inato, não difere de Pã; por isso, o Bode era consagrado a um e a outro. Era também um dos atributos de Baco, pela mesma razão.