A mística hebraica apresenta características comuns às de outros movimentos místicos, mas também caracteres próprios devidos aos laços intrínsecos que a ligam à realidade histórica do hebraísmo, sendo a mística em geral definível como a forma de religião fundada numa relação a Deus imediatamente percebida, numa experiência direta e quase tangível da presença divina.
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O objeto da mística pode ser Deus, mas também a realidade metafísica em sua acepção absoluta ou a realidade do universo considerado de modo unitário.
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A experiência mística, em sua forma mais imediata, ocupa-se das formas vividas e sentidas na relação com o objeto, recorrendo à fantasia, à imaginação e à observação, e expressando-se por paradoxos e contradições que a reflexão lógica recusa.
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A experiência mística, como tentativa de instituir uma relação viva entre o finito e o infinito, não pode ocorrer quando há fusão tão compacta que não permita distinção, nem quando a distinção é separação tão rigorosa que torne impossível qualquer ligação.
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Nas grandes religiões monoteístas, a mística situa-se amiúde nos períodos que se seguem às origens e procura corrigir a radical dualidade do finito e do infinito sobre a qual essas religiões se constituem inicialmente, apresentando-se não como ruptura da tradição, mas como esforço de renovação por nova interpretação dos antigos valores religiosos.
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A iniciativa mística comporta, de forma indireta e às vezes subentendida, uma exaltação da individualidade: o místico, ao mesmo tempo que respeita a antiga revelação, considera-a não encerrada e levanta seus véus pela nova experiência mística, arriscando-se a violar as fronteiras do que as instituições codificadas da religião tendem a considerar como revelação histórica única e conclusa.