A maçonaria, cujo período de máximo esplendor ocorreu no século XVIII e que se define como maçonaria simbólica em contraste com o caráter operativo da arquitetura medieval, realizou o equivalente esotérico do iluminismo, reunindo elites intelectuais a quem atribuía grande missão moral de guia da humanidade e de intervenção na orientação da vida pública.
A maior difusão da maçonaria no século XVIII deu-se na Inglaterra e na França, a partir de 1717, quando se elaborou novo ritual de inspiração protestante.
Do ponto de vista religioso, a maçonaria foge às várias confissões e seus limites dogmáticos; do ponto de vista político, tenta superar os limites de todos os aspectos institucionais pela busca de ligações mais abertas e universais; culturalmente, reivindica a superação da unilateralidade e a recuperação da perfeição do homem em perspectiva universal.
O motivo esotérico ou secreto deriva da aposta em homens capazes de elevar-se acima dos preconceitos da estrutura institucional comum, justificando a iniciativa de poucos iluminados a quem uma severa iniciação confere maior decisão e iniciativa mais radical.
O aspecto secreto é justificado praticamente pela antítese aos aspectos conservadores da organização política e religiosa, e teoricamente pela convicção de que a luz que deve iluminar todas as consciências só pode partir de um princípio capaz de isolar-se dos cânones do absolutismo político, da cultura cristianizada e da sociedade fechada.
A maçonaria foi condenada várias vezes pela Igreja no século XVIII e encarada com desconfiança pela autoridade política; o anticlericalismo varia conforme o ambiente cultural, sendo mais presente na área latina do que na anglo-saxônica.
Nas expressões mais recentes da maçonaria, a componente cultural tem menor incidência em benefício de aspectos mais utilitaristas, e a instância do segredo serve mais à conservação e proteção de interesses constituídos do que ao distanciamento crítico da estrutura dominante — orientação nos antípodas da codificada por Lessing nos Colóquios para Maçons (1778), onde a maçonaria se propunha superar as divisões que a sociedade civil introduz entre os homens, divisões que não devem ser reconhecidas como boas nem sagradas, cabendo a homens acima dos preconceitos da nação a perspectiva superior capaz de não confundir tais preconceitos com a virtude.