Embora os mistérios de Elêusis eliminassem certas exclusões imediatas presentes nas sociedades primitivas — como a do sexo feminino e a de escravos ou habitantes de determinada cidade —, mantinham, segundo Colli e Pettazzoni, uma seleção rigorosa que reservava o grau supremo visionário, a epopteia, a um número muito restrito de eleitos.
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As famílias sagradas dos Eumólpidas e dos Quércias, que regiam a celebração dos mistérios, tinham como função culminante uma seleção.
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A epopteia só podia ser alcançada um ano após a iniciação aos grandes mistérios, e o número dos escolhidos não era grande.
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A grande afluência de participantes às solenidades de Elêusis acompanhava, do exterior, a iniciação reservada a pouquíssimos eleitos.
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Segundo Pettazzoni, a iniciação consistia originalmente na admissão de estranhos ao culto de algumas famílias que o mantinham como patrimônio privado e que permaneceram como depositárias dos mistérios, transmitindo a seus membros os sacerdócios mais importantes.
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Com o tempo, o vínculo entre os mistérios de Elêusis e essas famílias se atenuou, admitindo-se homens e mulheres, livres e escravos, e configurando-se uma separação de novo tipo — característica da religião esotérica em contraste com a religião olímpica.
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Os mistérios de Elêusis assumiram, já no século VII a.C., caráter escatológico e soteriológico, contrapondo um destino melhor na vida futura à triste existência presente, numa perspectiva de renascimento e participação na natureza divina.
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Segundo Pettazzoni, a origem dos mistérios de Elêusis é agrária, não egípcia, mas indígena e pré-helênica, remontando aos primeiros povos da Hélade que, subjugados pelos invasores, formaram em grande parte a plebe — uma plebe cujas aspirações ultraterrenas, nascidas do peso do trabalho incessante, desenvolveram em Elêusis a ideia de uma vida melhor após a morte.