A amplitude do tecido social constituído pelo esoterismo nas sociedades primitivas oscila entre a inclusão de todos os homens adultos e a restrição a grupos limitados, revelando o caráter ambíguo da iniciação como vínculo comunitário simultaneamente aberto e excludente.
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O primeiro caso exclui as mulheres, mas se preocupa em abarcar todos os homens que atingem a maioridade, configurando um esoterismo de estrutura relativamente aberta.
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Com a evolução da organização política, os excluídos aumentam em número e os iniciados se separam mais radicalmente dos profanos, acrescentando-se diferenças artificiais às diferenças naturais iniciais.
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A iniciação é motivo determinante de constituição da comunidade: não existe comunidade sem vínculo sagrado de fraternidade entre os que participam do processo iniciático, com exclusão dos que ficam de fora.
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A constituição do vínculo comunitário é frequentemente considerada fato religioso, derivado de um pacto entre os membros e os deuses fundadores.
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A comunidade nasce carregando a dialética da negação e da afirmação — inclui os que estão dentro e exclui os que estão fora —, rodeada de véu de mistério, fascínio, prestígio e exclusivismo.
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À medida que a organização social se desenvolve, faz-se sentir a instância de um vínculo mais imediato, concreto e diferenciado como reação a uma sociabilidade demasiado difusa e indiferenciada, embora desígnios aristocráticos de conservação possam igualmente influir no caráter esotérico atribuído à comunidade.