Milosz, poeta e linguista, afirma que certos nomes essenciais como pão, sal, sangue, sol, terra, água, luz, trevas e nomes de metais não são irmãos nem filhos, mas pais dos objetos sensíveis.
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Apesar das diferenças de temperamento, estilo e corrente poética, quase todos os poetas franceses abordados partilham uma visão realista da linguagem no sentido medieval, postulando uma origem única e transcendente para ela e recusando o caráter meramente convencional do signo.
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Todos consideram a língua não como produto de convenção mas como realidade espiritual
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Todos postulam que a língua participa, até em seus elementos, da realidade do ser no Universo
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Uma grande poesia sempre se fundou, implicitamente, nessa base
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Fabre d'Olivet constitui o único caso de linguista que oferece, no plano da ideia, o pendant exato da experiência poética do período
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O nome de Fabre d'Olivet nunca é citado pelos poetas, embora a concordância seja notável
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A questão central é por que a filosofia da linguagem de Fabre d'Olivet foi ignorada e por que não se desenvolveu, no prolongamento de sua via, uma linguística respondendo ao movimento da poesia, cuja resposta reside no fato de que toda filosofia do signo depende da origem atribuída ao homem.
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O semelhante só produz o semelhante
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Para Fabre, como para os poetas, a linguagem é fenômeno espiritual e só pode ter origem em princípio análogo
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Não é possível atribuir à língua um princípio espiritual sem descobrir um princípio espiritual no próprio homem
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A linguística do século XIX foi atravessada pelo darwinismo, levando Auguste Schleicher a adotar a doutrina darwiniana em 1863 e Darwin a elaborar, a partir dessa tese, uma teoria da linguagem que o obrigou a admitir um homem primitivo sem linguagem, o Homo primigenius alalus, imagem que nada tem de fato científico.
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O livro De l'Origine des Espèces de Darwin foi publicado em 1859
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Schleicher, linguista de Iena, publicou A Teoria de Darwin e a Linguística em 1863
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Darwin toma a tese de Schleicher para elaborar sua teoria da linguagem em A Origem do Homem
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O alalus resulta do cruzamento de uma hipótese científica sobre o corpo humano e de uma tese linguística não demonstrada sobre uma realidade de outro plano
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Esse produto híbrido, aceito como dogma, condenava toda pesquisa sobre a fala a derivar de gritos incoerentes à linguagem articulada, o que viola o princípio de que o semelhante só produz o semelhante
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A confusão instaurada pelo darwinismo, pelo marxismo e pelo racismo no século XIX bloqueou absolutamente qualquer filosofia da linguagem fundada em bases diferentes das de Fabre, sendo indispensável distinguir o fato científico certo de sua interpretação arbitrária e de seu abuso político injustificável.
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A ciência contemporânea admite os diferentes estádios da evolução como fato adquirido, mas reconhece ignorar sua lei, e o zoólogo Adolphe Portmann, professor na Universidade de Basileia, define com clareza o vazio dessa construção, propondo que o espírito humano não é um fenômeno tardio superajuntado ao corpo animal.
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Portmann é autor de L'Origine de l'Homme e Fragments biologiques
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A hipótese de que o espírito emerge progressivamente de um corpo animal redressado é um postulado que nada demonstra
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Não é possível isolar o nascimento da forma humana como problema zoológico fora do conjunto que constitui o homem
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Cada membro do corpo humano e cada movimento são expressão de um elemento particular que não pode ser captado materialmente
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A distinção entre ciência natural e ciência espiritual tem utilidade limitada à diferenciação de métodos
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Uma vez corretamente elaborado o fenômeno originário do homem, nada na biologia moderna proíbe conceber uma origem espiritual do homem, nem ver no fator desconhecido da evolução a ação do princípio espiritual que tende a criar para si uma forma de manifestação física na terra.
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Portmann demonstra que o erro do transformismo foi introduzir a hipótese indemonstrável de que a linguagem humana deriva do grito animal por enriquecimento progressivo, confundindo linguagem e produção de som e mascarando um dos grandes problemas da antropologia.
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Do grito do animal só se pode passar ao grito do homem, nunca ao vocábulo articulado, que é de essência diferente
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A biologia só verá corretamente a natureza do fenômeno da aquisição da linguagem quando superar a equivalência errônea entre emissão de som e linguagem, grito animal e palavra
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O pensamento de Fabre d'Olivet não encontra mais, além da crise darwinista, obstáculos na ciência contemporânea, mas subsiste ainda a questão da demonstração prática que ele tentou dar à sua filosofia da linguagem ao restituir a língua hebraica e traduzir os dez primeiros capítulos do Gênesis.
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Fabre escolheu o hebraico por ser uma das línguas mais antigas à sua disposição, ao lado do chinês e do sânscrito
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Atribuiu a cada som e letra do alfabeto hebraico um valor significativo geral
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Estabeleceu um vocabulário das principais raízes
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Forneceu uma tripla tradução: palavra a palavra francês, palavra a palavra inglês e versão correta francesa
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Notas gramaticais abundantes justificam pelo vocabulário radical a significação proposta
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Os eventuais erros de fato nas pesquisas linguísticas de Fabre d'Olivet, atribuíveis às possibilidades limitadas da época, não diminuem o valor do método nem o interesse de seu princípio, assim como os erros de Goethe não invalidam sua método científica.
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Há provável certeza de erros de fato no conjunto das pesquisas de Fabre
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Os trabalhos posteriores revelaram elementos que ele não podia dispor
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O caso de Goethe é análogo: os fatos foram refutados ou registrados, mas o método foi negligenciado, quando é o contrário que importa
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A tradução de Fabre faz emergir lentamente de sua envoltória grosseira a figura de um mito de beleza e alcance singulares, e a lógica interna dos fatos é notável: o método fundado na ideia de uma origem divina do homem e da linguagem, aplicado ao velho texto sagrado, faz aparecer precisamente o mito da origem espiritual do homem.
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O Adão de Fabre é um princípio imaterial, formado da sublimação das partes mais sutis do Elemento adâmico
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Esse princípio é admitido por outras cosmogonias antigas com as quais o hebraico estaria em acordo
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A biologia contemporânea circunscreveu e reservou um lugar para esse princípio
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No capítulo II, versículo 19, Adão nomeia cada espécie segundo os rapports de cada uma com a Alma vivente universal
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O longo desenvolvimento sobre Fabre d'Olivet era necessário para dissipar a espessa camada de obscuridade depositada sobre essa ordem de noções e para provar em detalhe que o pensamento de Fabre, e também o de Saint-Martin, longe de ser produto de fantasia extravagante, repousa sobre bases integráveis à cultura contemporânea.
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A filosofia da linguagem de Fabre apresenta múltiplos rapports com os problemas da poesia e da ciência contemporâneas
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Em Claude de Saint-Martin a filosofia da linguagem é importante; em Fabre é essencial
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As duas obras principais de Fabre, a Langue hébraïque restituée e o comentário sobre os Vers dorés, partem de um fato linguístico e se apoiam em uma tradução
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Em Fabre, o pensamento mais ousado toma sempre seu impulso a partir de um fenômeno elementar da palavra humana
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A inteligência do mito e da história tem nele a mesma origem que a reflexão linguística