TANNER, André. Gnostiques de la Révolution. Paris: Engloff, 1946
ECCE HOMO
… Recebemos o caráter de sinais e testemunhas da divindade no universo; e, como tais, fomos preenchidos com todos os poderes e todas as claridades divinas, de acordo com a sublimidade de nosso destino e com a grandeza dos direitos que nos foram concedidos para cumpri-lo. Pois para que fim teríamos sido assim destacados desse círculo da imensidão divina, na qualidade de sinais e testemunhas, se não fosse para repetir na região para onde a sabedoria nos enviou o que acontecia no círculo divino? E como essa região parcial poderia existir, se alguns seres, desordenando-se a si mesmos, não tivessem se proibido o acesso à região universal, uma vez que a unidade princípio busca, por sua natureza, preencher tudo, e que, a partir daí, o mal não pode ser senão a concentração parcial de um ser livre e sua abstração voluntária do reino da universalidade?
Assim, da mesma forma que na ordem eterna da imensidão divina, Deus basta para a plenitude da contemplação de todos os seres, da mesma forma, quando recebemos uma missão individual e uma existência separada dele, não poderíamos retratá-lo, nem ser seus sinais e testemunhas, a não ser mostrando em nós a imagem reduzida desse Deus a seres que, tendo-se concentrado em sua própria presença, teriam perdido de vista a presença divina e se encontrariam como encerrados nessa atmosfera particular de seu erro.