TANNER, André. Gnostiques de la Révolution. Paris: Engloff, 1946
MINISTÉRIO DO HOMEM-ESPÍRITO
Para a alma humana, tudo começa com o sentimento e o afeto, e é assim que tudo termina.
Assim, nossa inteligência só se desenvolve depois que nosso ser interior experimenta em si mesmo os primeiros sentimentos de sua existência. Isso se manifesta na idade em que o homem começa a pensar. Nessa época da nossa vida, sentimos nascer em nós um novo foco e uma sensação moral que não conhecíamos antes. A inteligência não tarda em dar sinais de sua presença, mas isso só acontece nessa idade depois que o foco moral se desenvolveu.
Em uma idade mais avançada, a seiva sobe com força para a região da nossa inteligência, e é nesse momento que mais precisamos de supervisores que dirijam seu curso e nos preservem dos perigos de suas irrupções impetuosas; pois, sem cuidado, nosso foco moral logo ficaria obscurecido ou alterado. É então que os sábios colocam as ideias à frente da moral, já que até mesmo as fazem depender dela, assim como fazem depender as ideias das sensações e dos objetos externos.
Mas se esse foco moral de sentimento e afeto tem a iniciativa por direito natural, seria necessário, consequentemente, que tudo lhe retornasse como resultado final, pois vemos que os alimentos que ingerimos só nos são úteis e cumprem seu objetivo na medida em que transportam seus sucos e propriedades até nosso sangue ou até o foco de nossa vida.
Assim, seremos obrigados a concordar que todas as clarezas que a inteligência dos homens adquire pelo raciocínio só lhes servem na medida em que penetram no foco moral, onde cada uma traz o tipo de propriedade de que é depositária. É um tributo e uma homenagem que todos devem prestar a essa fonte, vindo testemunhar, pelo fato, o caráter de sua relação com ela.