TANNER, André. Gnostiques de la Révolution. Paris: Engloff, 1946
DOS ERROS E DA VERDADE
O homem, ao unir-se, por consequência da corrupção de sua vontade, às coisas mistas da região aparente e relativa, submeteu-se à ação dos diferentes princípios que a constituem e àqueles dos diferentes agentes encarregados de sustentá-los e de presidir à defesa de sua lei: e essas coisas mistas, produzindo por sua combinação apenas fenômenos temporais, lentos e sucessivos, resultam que o tempo é o principal instrumento dos sofrimentos do homem e o poderoso obstáculo que o mantém afastado de seu Princípio; o tempo é o veneno que o corrói, enquanto era ele quem deveria purificar e dissolver o tempo; o tempo, enfim, ou a região que serve de prisão ao homem, é semelhante à água, cujo poder é dissolver tudo, alterar mais ou menos rapidamente a forma de todos os corpos, e na qual não se pode mergulhar o ouro sem que ele perca um décimo nono do seu peso; fenômeno que, segundo cálculos íntegros, representa naturalmente a nossa verdadeira degradação.
Na verdade, o tempo é apenas o intervalo entre duas ações: é apenas uma contração, uma suspensão nas faculdades de um ser. Assim, a cada ano, a cada mês, a cada semana, a cada dia, a cada hora, a cada momento, o princípio superior retira e devolve os poderes aos seres, e é essa alternativa que forma o tempo. Posso acrescentar, de passagem, que a extensão também experimenta essa alternativa, que está sujeita às mesmas progressões que o tempo: o que faz com que o tempo e o espaço sejam proporcionais.
Por fim, consideremos o tempo como o espaço contido entre duas linhas que formam um ângulo. Quanto mais os seres estão distantes do vértice do ângulo, mais são obrigados a subdividir sua ação, para completá-la ou para percorrer o espaço de uma linha à outra; ao contrário, quanto mais estão próximos desse vértice, mais sua ação se simplifica: julguemos por isso qual deve ser a simplicidade da ação no Ser Princípio, que é ele mesmo o vértice do ângulo. Como esse Ser só precisa percorrer a unidade de sua própria essência para alcançar a plenitude de todos os seus atos e de todos os seus poderes, o tempo é absolutamente nulo para ele.
Ao contrário, todo o peso do tempo é sentido por aquele que, tendo nascido para a unidade de ação, está colocado na extremidade das duas linhas. É por isso que, de todos os seres sensíveis, o homem é aquele que mais se aborrece; pois sendo aquele cuja ação natural é hoje a mais distante da de seu princípio; sendo o único ser cuja ação é estranha a esta região terrestre, essa ação está perpetuamente suspensa e dividida nele.