A realidade tangível, que o homem crê conhecer, é ilusória, e quanto mais ilusória, mais acredita ser completa: o homem, crendo dominar o mundo, está constantemente à mercê desse mesmo mundo, que, regido por uma lei que ele ignora, continuamente demonstra seus erros, abala suas convicções e desmonta seus edifícios intelectuais.
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Os sábios sabem muito bem que a névoa vespertina que sobe dos rios é apenas a síntese visível do dia humano: tendo sido todo vivido entre fantasmas, termina com o fantasma dos fantasmas, a névoa que obscurece a vista e não tem nem peso nem rosto.
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O homem comum, ao contrário, vive com a ilusão de fixar essa névoa e de encontrá-la ainda lá pela manhã, tão distante da realidade quanto alguém que acredita poder imobilizar o que por natureza se dissipa.