Nessa obra, ao falar das lendas populares do folclore universal, madame Blavatski lhes atribui um valor de revelação e de veículos do saber esotérico dos iniciados indianos, com estas palavras: “A tradição não desfigurou os fatos ao ponto de torná-los irreconhecíveis. Entre as lendas do
Egito e da Grécia, de um lado, e as da Pérsia, de outro, há demasiada semelhança de figuras e de números para que se possa atribuir à simples casualidade, como foi amplamente provado pelo astrônomo e orientalista Bailly. Essas lendas passaram a ser depois contos populares persas. As façanhas do rei Artur e de seus cavaleiros da Távola Redonda são contos de fadas pelas aparências, e, no entanto, encerram fatos muito reais da história da Inglaterra. Por que, pois, a tradição popular do Irã não há de ser, a seu turno, parte integrante dos acontecimentos pré-históricos da perdida Atlântida? Antes da aparição de Adão nos falam essas tradições dos devis ou devas, gigantes fortes e perversos que reinaram sete mil anos, e dos peris ou ized, menores mas melhores e inteligentes, que só reinaram dois mil anos. Aqueles foram os atlantes, os vakshasas do Ramayana; estes últimos, os ários ou moradores do Bharat Varsha, ou seja, da Grande Índia.”