Paradoxo

R. CANSINOS ASSENS, in Libro de las mil y una noches: el de los conocimientos maravillosos y las historias entretenidas, peregrinas … 5 ̇ed ed. Madrid: Aguilar, 1992.

As mil e uma noites são consideradas um paradoxo, sendo impossível aplicar-lhes um critério único

Na técnica dos compiladores, observam-se primitivismos incompreensíveis ao lado de refinamentos de arquicivilizados

Reações espontâneas e impulsivas, reprimidas pelo homem atual, são apresentadas como naturais

A obra mostra-se carente de psicologia racional, mas acusa um saber profundo sobre psicologia anormal e psicoses

O próprio livro é, no fundo, o processo de curação do rei Xariar pelo poder diversório do conto

Os autores medievais de As mil e uma noites anteciparam-se aos modernos romancistas no estudo de complexos dramáticos

Os sonhos têm grande importância como material psíquico em As mil e uma noites

Casos de bilocação, levitação, telepatia e sugestão a distância têm registro nas histórias

O psíquico em As mil e uma noites suplanta às vezes a realidade, reduzindo-a a mera ilusão

Muito antigo e muito moderno, o livro conta com ar de fábula coisas que existiram e registra instituições e costumes já esquecidos

O sentido filosófico ou moral da obra elude toda apreciação dogmática

Opiniões contrapostas aparecem alegorizadas em histórias como a do xeique da mão pródiga (Noites 628 a 635) e a de Simbad, o marinho (Noites 317 a 335)

Não se pode atribuir nenhuma intenção última nem direção determinada em sentido político ou de alta moral a este livro heterogêneo