Tempo

R. CANSINOS ASSENS, in Libro de las mil y una noches: el de los conocimientos maravillosos y las historias entretenidas, peregrinas … 5 ̇ed ed. Madrid: Aguilar, 1992.

A emoção do Tempo, que corre continuamente e vai fundir-se na eternidade, é o que empresta unidade às histórias díspares de As mil e uma noites

É patético o momento em que o diamante da alvorada corta a urdidura da narração e pode cortar o seu pescoço

A pausa da aurora, cortando o fio do relato, tem o ar ameaçante da foice da morte

A situação de Xerazade contando histórias sob a ameaça da morte é um símbolo ascético de enorme impressão

O broche que dá unidade às dispares histórias do livro é o Tempo, a que todas vão parar e de onde arrancam

O Tempo atua como um personagem imponente em As mil e uma noites

Toda a transcendência metafísica do Tempo é contemplada graças à introdução do número

A intervenção do Tempo, partido em noites, presta transcendência e unidade a estas histórias

As mil e uma noites reduzem-se assim a uma só noite, cheia de encanto e inquietude, como se fosse a única e última noite

As histórias frívolas são o pregão, o reclamo para atrair as almas, que assim se encontram de repente no coração do drama do homem