Antes e depois das sete fábulas narradas nos sete pavilhões, o poema ilustra a vida do príncipe, sua educação, suas caçadas, guerras, a construção do castelo, festas, amores, constituindo um retrato do soberano ideal que funde a antiga tradição iraniana do “rei sagrado” e a tradição islâmica do sultão piedoso.
O poema inclui caçadas ao leão, ao onagro e ao dragão, guerras contra os chineses do Grande Khan e amores até mesmo servis.
A ideia ocidental de que um soberano ideal deveria ter um reino próspero e súditos felizes é considerada um preconceito da mentalidade tacanha.
O rei pode ser um prodígio de todas as perfeições sem que seu reino deixe de sofrer as mais cruéis injustiças nas mãos de ministros pérfidos e ávidos.
Como o rei goza da graça celeste, chegará o momento em que a triste realidade de seu reino se desvelará a seus olhos.
Ele punirá o infame vizir e dará satisfação a quem vier lhe contar as injustiças sofridas, resultando nas “histórias das pessoas ofendidas”, também em número de sete, mas menos atraentes.
Restabelecida a justiça, Bahram reorganiza o exército e põe em debandada o Grande Khan da China.
Tendo cumprido seu destino, ele desaparece literalmente em uma caverna onde entrara perseguindo o onagro que caçava.
O rei é, em suma, o “Homem por excelência”, importando a harmonia cósmica que se encarna nele, harmonia que se refletirá até certo ponto sobre seu reino e súditos, mas que reside sobretudo em sua pessoa.
Observa-se que ainda hoje existem regimes que pretendem ser dignos de louvor por si mesmos, independentemente de as pessoas viverem muito mal neles.