4 Cruz

COOPER, J. C. Symbolism: The Universal Language. Wellingborough: Aquarian Press, 1982.

A cruz e o quadrado

1. A cruz constitui um símbolo antigo e universal, estreitamente relacionado ao círculo e ao quadrado, cujo ponto de interseção representa um centro sagrado e um eixo cósmico de comunicação entre mundos e estados do ser.

2. A cruz representa os pontos cardeais, as estações e as divisões dos ciclos da manifestação, enquanto a união de seu eixo vertical, masculino e celeste, com o horizontal, feminino e terrestre, exprime a humanidade arquetípica, a totalidade do Andrógino, as possibilidades ilimitadas de expansão e a vida eterna.

3. A suástica possui origens incertas, interpretadas por referência à produção ritual do fogo, aos movimentos celestes e a diferentes formas gráficas, mas sua ampla presença tradicional associa-se à boa fortuna e aos votos de bem-estar expressos pela origem sânscrita de seu nome.

A suástica

1. As duas orientações da suástica representam princípios complementares, associando o movimento horário aos poderes solares e masculinos e o anti-horário aos lunares e femininos, correspondência expressa na tradição chinesa pelo yang e pelo yin e incorporada às vestimentas cerimoniais.

2. As suásticas entrelaçadas formam nós místicos que representam os mistérios, a infinitude e a inescrutabilidade do universo, enquanto determinadas interpretações atribuem boa fortuna à figura yang isolada e um caráter sombrio à figura yin separada de seu complemento.

3. No plano metafísico, a suástica exprime a atuação do princípio vital no mundo por movimentos complementares de expansão e recolhimento, ligando centro e periferia, começo e fim, e retomando a relação entre círculo e quadrado.

4. As formas da suástica compostas por duplos Z ou S podem remeter ao fogo, ao relâmpago ou à estilização de membros humanos, aproximando-se do emblema de três membros dobrados que irradiam de um centro, associado à boa sorte e ao deus céltico do mar Manannán.

5. No cristianismo primitivo, a suástica simbolizava o poder de Cristo e, sob a forma medieval do gamádio, composto por quatro letras gama, representava tanto sua condição de pedra angular quanto os quatro evangelistas reunidos em torno de seu centro.

6. A suástica também figurava nas vestes sacerdotais como representação do Bom Pastor e foi posteriormente empregada como ornamento em sinos de igrejas inglesas.

Outras formas

1. A cruz egípcia ankh combina a forma tau com um círculo superior, reunindo os princípios masculino e feminino e os domínios celeste e terrestre, ou associando eternidade e extensão infinita, para exprimir vida, imortalidade e existência futura, como atributo também ligado à deusa da verdade, Maat.

2. A adoção cristã da cruz reúne os sentidos de morte, sofrimento e sacrifício à complementaridade entre misericórdia e julgamento e às duas naturezas de Cristo, enquanto a tradição da madeira proveniente da Árvore do Conhecimento exprime sua transformação em Árvore da Vida e instrumento de redenção.

3. A cruz tau, difundida desde a Antiguidade em diferentes continentes, pode representar a figura humana, a fecundidade, o martelo das divindades do trovão e a chave do poder supremo.

4. A cruz inscrita no círculo exprime o movimento solar, a transformação e a boa fortuna, enquanto sua inscrição no quadrado representa a estabilidade terrestre, e, entre povos indígenas norte-americanos, a disposição circular da habitação com a cruz central simboliza o espaço sagrado e o Grande Espírito.

5. As formas templária e maltesa da cruz representam diferentes relações entre expansão e concentração das forças, enquanto outras associações remetem a grandes divindades antigas e a Rosa-Cruz concentra no centro os significados do coração e da harmonia.

6. A associação da cruz com a lua crescente reúne o princípio masculino ao feminino receptivo, representado pela barca lunar das rainhas celestes, exprimindo a união entre céu e terra.

7. A cruz de Santo André pode simbolizar barreira e união dos mundos superior e inferior, enquanto a cruz bifurcada representa as escolhas morais da vida adulta e as encruzilhadas, lugares de encontro dos opostos e de forças perigosas, cuja ambivalência explica práticas funerárias destinadas a impedir o retorno dos mortos e sua associação a Jano.

8. As numerosas variantes da cruz articulam significados de vida nova, ressurreição, autoridade religiosa e identidade de Cristo, como nas formas recruzetada, trevada, papal, dupla e no lábaro Chi-Rho, cuja utilização como sinal favorável antecede sua incorporação cristã.

9. A cruz e o quadrado compartilham o simbolismo do número quatro, dos pontos cardeais e dos elementos, exprimindo a estabilidade e a integridade terrestres em contraste com o movimento celeste, enquanto o quadrado e o cubo sustentam construções sagradas e profanas e representam, especialmente no hinduísmo, a ordem arquetípica, a proporção e a perfeição equilibrada da forma.