O papiro mais antigo, o P. Berol. inv. 11628 (fins do século II — início do século III d.C.), fornece um precioso terminus ante quem para datar o surgimento da obra, sugerindo que a versão primeira remonte ao início do século II ou ao final do século I.
Diversos índices indicam que o texto, em sua forma atual, não é anterior à época imperial: registram-se numerosos latinismos na língua da versão antiga, especialmente para exprimir realidades da vida cotidiana.
O uso de um duplo sistema monetário — ora grego (óbolos e talentos), ora latino (asses e denários) — reforça essa datação; um estudo minucioso de J.-P. Callu sobre os preços de escravos e mercadorias mencionados no texto conclui por estimativas compatíveis com o mercado dos dois primeiros séculos da era comum.
Outros detalhes revelam personagens que vivem num mundo amplamente penetrado pelos costumes romanos: a importância atribuída aos banhos na rotina diária e o hábito de tomar aperitivo antes das refeições — costume romano que o tradicionalista Plutarco, nos Comentários à mesa, deplora como sintoma de intemperança.
A viagem à Grécia que Esopo empreende ao final de sua vida, apresentando de cidade em cidade suas habilidades de logopoios, remete à existência itinerante dos oradores-estrela da Segunda Sofística: como eles, o fabulista se produz em salas de conferências (akroatêria) e recebe salário por suas atuações.
A presença, em vários passos do texto, de notações de caráter fisiognomônico ancora ainda mais solidamente a Vida de Esopo na época imperial, período em que essa pseudociência atingiu seu pleno desenvolvimento.