John Matthews (1948–)
Historiador independente, folclorista e autor britânico, John Matthews é uma das figuras contemporâneas mais prolíficas na pesquisa, edição de fontes manuscritas e reinterpretação mitológica do ciclo arturiano, da matéria da Bretanha, do xamanismo céltico e da mística do Graal. Em colaboração frequente com a sua esposa Caitlin Matthews, consolidou uma vasta obra que une a recolha de fontes primárias medievais à hermenêutica simbólica e à prática de tradições orais e sapienciais pré-cristãs das Ilhas Britânicas. Atuou também como consultor histórico em produções cinematográficas (como o filme “King Arthur”, 2004).
1. Obras Monográficas e Tratados Fundamentais sobre o Graal e o Ciclo Arturiano
MATTHEWS, John. The Grail: Quest for the Eternal. London: Thames & Hudson, 1981. (Coleção “Art and Imagination”).
Foco: Ensaio ilustrado pioneiro que mapeia a iconografia sagrada, a liturgia medieval e a evolução do arquétipo do
Graal, das fontes pagãs à tradição cristã.
MATTHEWS, John. At the Table of the Grail: Magic and the Use of Imagination. London: Routledge & Kegan Paul, 1984.
Foco: Coletânea seminal reunindo ensaios de pensadores tradicionais e mitólogos (incluindo Henry
Corbin e Gareth Knight) sobre o uso da imaginação ativa e simbólica na busca do
Graal.
MATTHEWS, John. Elements of the Arthurian Tradition. Shaftesbury: Element Books, 1989.
Foco: Síntese introdutória clara e sistemática sobre as figuras de Arthur, Guinevere, Merlim, a Távola Redonda e as fontes históricas e poéticas da lenda.
MATTHEWS, John. The Arthurian Tradition. Shaftesbury: Element Books, 1994.
MATTHEWS, John. The Household of the Grail. Wellingborough: Aquarian Press, 1990.
Foco: Exame dos guardiões, das donzelas e das linhagens sagradas associadas ao castelo do
Graal e à herança do Rei Pescador.
MATTHEWS, John. King Arthur and the Grail Quest: Myth and Vision from Celtic Times to the Present. London: Blandford, 1994.
MATTHEWS, John. Sources of the Grail: An Anthology of Essential Writings. Edinburgh: Floris Books, 1996.
Foco: Antologia documental de textos originais essenciais sobre a lenda do
Graal, reunindo excertos de manuscritos galeses, franceses, alemães e ingleses comentados criticamente.
MATTHEWS, John. The Song of Taliesin: Stories and Poems from the Books of Carreg and Taliesin. London: Aquarian Press, 1991.
MATTHEWS, John. Sir Gawain: Knight of the Goddess. Wellingborough: Aquarian Press, 1990.
2. Obras em Parceria com Caitlin Matthews
MATTHEWS, Caitlin; MATTHEWS, John. The Western Way: A Practical Guide to the Western Mystery Tradition. 2 v. London: Arkana / Routledge & Kegan Paul, 1985–1986.
v. 1: The Native Tradition (1985).
v. 2: The Hermetic Tradition (1986).
Foco: Tratado de referência sobre as correntes ocultas ocidentais, dividindo a via nativa (xamânica, céltica e arturiana) da via hermética e cabalística.
MATTHEWS, Caitlin; MATTHEWS, John. The Arthurian Book of Days: A Daily Guide to Arthurian Lore and Legend. London: Blandford, 1990.
MATTHEWS, Caitlin; MATTHEWS, John. The Encyclopedia of Celtic Wisdom: The Celtic Shaman's Sourcebook. Shaftesbury: Element Books, 1994.
MATTHEWS, Caitlin; MATTHEWS, John. King Arthur: Dark Age Warrior and Mythic King. London: British Library, 2008.
3. Traduções Principais em Línguas Ibéricas
MATTHEWS, John. O Santo
Graal: A busca da eternidade. Tradução de Alberto Mayer. São Paulo: Martins Fontes, 1990. (Coleção “Imaginário e Conhecimento”).
MATTHEWS, John. Elementos da tradição arturiana. Tradução de José Silva. Lisboa: Edições 70, 1992.
MATTHEWS, John. Sir Gawain: El caballero de la Diosa. Traducción de Emilio García. Madrid: Mirach, 1993.
MATTHEWS, John. Fuentes del Grial. Traducción de Jorge Viñes. Madrid: Editorial Edaf, 1998.
MATTHEWS, Caitlin; MATTHEWS, John. La sabiduría celta. Madrid: Editorial Sirio, 1996.
MATTHEWS, Caitlin; MATTHEWS, John. La tradición occidental: Guía práctica de los misterios occidentales. Barcelona: Robinbook, 2000.
4. Eixos Hermenêuticos e Metodologia
Continuidade da Tradição das Ilhas: Ao lado de pesquisadores da espiritualidade da Bretanha e da Grã-Bretanha, Matthews sustenta a vitalidade ininterrupta da herança mítica insular. As histórias arturianas não são meros romances de corte inventados para o entretenimento da nobreza anglo-normanda, mas repositórios vivos de técnicas xamânicas, ritos de passagem e sabedoria telúrica dos antigos povos celtas e bretões.
A Doutrina da Soberania e a Deusa da Terra: Alinhado à tese da soberania feminina comum a autores como Jean
Markale, Matthews enfatiza que os cavaleiros arturianos (em especial Gawain e Arthur) só mantêm o mandato real e a paz da terra enquanto honram a união sagrada com a guardiã feminina dos mistérios naturais. O desrespeito ou a violência contra a mulher desencadeia invariavelmente a esterilidade da Wasteland (a Terra Desolada).
O
Graal como Mandala Ocidental de Cura: O
Graal opera como um símbolo vivo de reconciliação de opostos: cura a ferida do rei enfraquecido, pacifica as desavenças do reino e oferece um caminho experiencial direto de comunhão com o sagrado, independente de dogmatismos estritamente eclesiásticos.