ROBERT GRAVES
Notável estudioso das tradições antigas, em especial os mitos gregos, hebreus e celtas, foi discípulo de James Frazer. Além de estudos sobre mitologias foi escritor renomado, com livros consagrados como “A Deusa Branca” onde deixa claro no Prefácio sua posição quanto ao mito, sua linguagem e forma poética.
Tese sobre a linguagem do mito poético como linguagem mágica vinculada a cerimônias religiosas antigas
Definição da linguagem do mito poético como originalmente mágica e associada a cerimônias em honra da Deusa-Lua, ou Musa
Origem de algumas dessas cerimônias no Paleolítico e caracterização da linguagem como a da verdadeira poesia no sentido nostálgico de “original provável”
Alteração da linguagem na fase final da civilização minoica por invasores da Ásia Central que impuseram instituições patrilineares
Falsificação dos mitos para justificar as mudanças sociais promovidas pelos invasores
Oposição dos primeiros filósofos gregos à poesia mágica por ameaçar a nova religião da lógica
Elaboração de uma linguagem poética racional, a Clássica, sob influência filosófica e em honra de Apolo
Imposição da linguagem clássica como paradigma de iluminação espiritual e sua prevalência no ensino europeu
A rejeição da mitologia grega primitiva por
Sócrates
Diálogo no Fedro de
Platão sobre o mito de Boreias e Orítia
Interpelação de Fedro a
Sócrates sobre a localização do rapto de Orítia por Boreias
Identificação de
Sócrates do local do rapto próximo ao templo da Caçadora e ao altar de Boreias
Questionamento de Fedro sobre a crença de
Sócrates na veracidade do relato mítico
Resposta de
Sócrates sobre a possibilidade de uma explicação racional para o mito, como a morte de Orítia por uma queda de um penhasco
Caracterização de
Sócrates das interpretações míticas como coisas belas, mas próprias de um homem curioso, esmerado e infeliz
Alegação de
Sócrates de não ter tempo para tais questões, por priorizar o conhecimento de si mesmo conforme o preceito délfico
Análise da atitude socrática em relação aos mitos no contexto de sua época
Refutação da posição socrática sobre o estudo dos mitos
O significado profundo da rejeição de
Sócrates: a recusa da Deusa-Lua
A rejeição dos mitos poéticos como rejeição da Deusa-Lua que os inspirava
Exigência da Deusa de que o homem prestasse homenagem espiritual e sexual à mulher
Definição do amor platônico como amor socrático, uma fuga do poder da Deusa para a homossexualidade intelectual
Lembrança de Diotima de Mantineia a
Sócrates sobre a direção do amor para as mulheres e o triunvirato de Moira, Ilítia e Calone
Interrupção de Alcibíades no Banquete e a abstinência de
Sócrates
Interrupção do Banquete por Alcibíades em busca do jovem Agaton
Relato de Alcibíades sobre a recusa socrática à sodomia, contentando-se com abraços castos
Possível reação de desprezo de Diotima perante a homossexualidade idealista como aberração moral da autossuficiência espiritual masculina
A vingança da Deusa sobre
Sócrates através de Xantipa e Alcibíades
O destino dos mitos após a morte de
Sócrates e o euhemerismo
A sobrevivência da linguagem antiga nos cultos de Mistério e além
Preservação da linguagem antiga nos Mistérios de Eleusis, Corinto e Samotrácia
Supressão dos Mistérios pelos primeiros imperadores cristãos e continuação do ensino nos colégios poéticos da Irlanda e do País de Gales e nos covens de bruxas
Quase extinção da tradição no final do século XVII
Produção poética mágica como resultado de uma reversão patológica inspirada à linguagem original, não de seu estudo consciente
A proposta para a educação poética iniciar com a Canção de Amergin
Proposta de que a educação poética inglesa deveria começar pela Canção de Amergin, um alfabeto-calendário celta
Caracterização da Canção como um resumo do mito poético primordial, encontrado em variantes irlandesas e galesas deturpadas
Restauração tentativa do texto da Canção de Amergin em suas estrofes
O equívoco moderno sobre o termo “mítico” e a natureza dos mitos
Definição equívoca moderna de “mítico” como “fantasioso, absurdo, a-histórico”
Caracterização dos mitos gregos, latinos, palestinos e celtas como registros graves de costumes ou eventos religiosos antigos
Confiabilidade dos mitos como história uma vez compreendida sua linguagem e considerados erros de transcrição, mal-entendidos e alterações deliberadas
Dificuldade na resolução de problemas mitológicos complexos devido à apropriação de títulos de deuses conquistados e à primazia da natureza dos sacrifícios sobre os nomes das divindades
Exemplo da redefinição contínua dos poderes de Apolo, desde um Demônio de uma fraternidade de ratos até patrono das artes
Menção à história complexa de Jeová, o Deus dos judeus
A função e a utilidade da poesia na atualidade
Questionamento sobre a função e a utilidade da poesia “atualmente”
Definição da função da poesia como a invocação religiosa da Musa
Definição da utilidade da poesia como a experiência de êxtase e horror provocada pela presença da Musa
Constância da função e da utilidade, com mudança apenas na aplicação
A poesia como advertência original para a harmonia com a natureza e obediência à Senhora da casa
A poesia como lembrete atual do desprezo à advertência e da ruína causada por experimentos caprichosos
Caracterização da civilização atual como desonradora dos emblemas primais da poesia
Exemplos da dessacralização de animais e da natureza: serpente, leão e águia no circo; boi, salmão e javali na indústria de enlatados
Desprezo pela Lua como satélite queimado da Terra e a redução da mulher a “pessoal auxiliar do Estado”
Condição do mundo atual em que o dinheiro compra quase tudo, exceto a verdade e o poeta possuído por ela