PROPP

Vladimir Propp (1895-1970)

Propp é considerado o pai do estruturalismo formalista. Sua Morfologia do Conto (1928) reduz o conto a 31 funções — uma gramática, não uma teologia.

Todavia, ao contrário dos esoteristas (que projetam sentidos), ao contrário dos psicanalistas (que reduzem a sintomas), ao contrário dos historicistas (que contextualizam), Propp não interpreta: descreve.

E o que ele descreve é que o conto maravilhoso possui uma estrutura invariante que se repete através de culturas e séculos. Para um tradicionalista (no sentido guenoniano), essa invariância é justamente a marca do que é primordial. O que é universal não é um conteúdo (Deus, o Self, o Inconsciente Coletivo), mas uma forma narrativa.

Propp não pergunta “o que o conto significa” — e por isso não precisa recorrer a um “esoterismo” ou uma psicanálise. Ele pergunta “como o conto funciona”. E a resposta mostra que o conto é um dispositivo ontológico antes de ser um veículo de mensagens.

Obras centrais:

Propp oferece peso (rigor metodológico, comparatismo exaustivo) sem esoterismo (não recorre a arquétipos, nem a “tradição primordial” como entidade metafísica). A profundidade está na própria estrutura, que é ao mesmo tempo formal e ontológica.