“A Bela e a Fera” pode ser a história de amor de nossa cultura sobre o poder transformador da empatia, mas também tem um lado sombrio — não apenas pela alta estranheza do conto, com macacos, cabras, lagartos e ursos cortejando belas jovens, e gatos, tartarugas, cães e sapos revelando seus talentos a jovens maravilhados, mas também por uma ferocidade emocional que codifica mensagens sobre como se gerenciam as ansiedades sociais e culturais em torno do romance, do casamento e do “outro.”
O conto classifica-se entre os mais populares de todos os contos de fadas — recontado, adaptado, remixado e mesclado por incontáveis narradores, escritores, cineastas, filósofos e poetas — e deriva seu poder em parte do misterioso descompasso entre seus dois protagonistas: um não apenas classicamente belo, mas também instintivamente generoso; o outro grotescamente feio e desesperadamente carente.