Andrew Lang foi talvez o mais hábil adversário tanto da teoria indianista quanto da teoria mitológica, apontando o significado dos contos egípcios datados do século XIII a.C. e das narrativas mencionadas em Heródoto e Homero, fatos que o levaram a desacreditar na importância primária da Índia para a história do conto.
Quanto às suas ideias positivas sobre a origem dos contos, Lang chamou atenção para os numerosos elementos primitivos nos contos populares modernos, sustentando que sua presença indica serem sobrevivências de um tempo muito antigo.
Costuma-se dizer que Lang era adepto da “poligênese” — a teoria de que as semelhanças entre histórias se devem à invenção independente em muitos lugares, por serem compostas de crenças e costumes comuns a povos de mesmo nível cultural —, mas é certo que o próprio Lang não acreditava nessa doutrina em sua forma extrema.
O resumo das conclusões de Lang, publicado na Introdução a Cox, Cinderella, dá expressão, talvez melhor do que de qualquer outra forma, à posição que a folclorística havia atingido ao final do século XIX, da qual avançou com apenas ligeiras modificações para o século XX.
Lang descreve que ao entrar na vida adulta encontrou duas teorias correntes: os contos populares eram vistos como o detritus dos mitos, o último eco de histórias de deuses e heróis; e esses mitos eram explicados pelas escolas de Schwartz, Kuhn e Max Müller como mitos de tempestade, trovão e relâmpago, ou do Sol e da Aurora.
Lang observou que contos semelhantes aos arianos em incidente e enredo existiam em países não arianos — África, Samoa, Nova Guiné, América do Norte e Central, Finlândia, entre os samoyedas —, e que, como então se negava que os contos fossem emprestados de povo a povo, buscou uma explicação para as semelhanças.
Lang concluiu que, quando incidentes e enredos semelhantes ocorrem tanto num mito heróico grego — como a Lenda dos Argonautas ou a Odisseia — quanto em contos populares correntes na Finlândia, em Samoa ou no Zululand, os contos não são o detritus do mito heróico, mas a lenda épica de Jasão ou Odisseu é uma modificação artística e literária do conto mais antigo.
Os personagens do conto são geralmente anônimos e os lugares são vagos e sem nome; os personagens da epopeia têm nome, são heróis nacionais e os eventos são localizados — o que levou Lang a concluir que a donnée era antiga e popular, e a epopeia comparativamente recente e artística.
Lang detecta um processo de genealogia: conto original de provável origem selvagem; conto popular dos camponeses; mito heróico literário antigo (Homero, poemas cíclicos, Argonautica, Nibelungenlied, Mito de Perseu etc.); versão literária moderna (Perrault).
Lang conclui que os contos datam de uma era de fantasia selvagem; a imaginação do homem é limitada, de modo que há sempre tendência a operar com um velho acervo de acontecimentos imaginativos em vez de inventar novos.
Lang também reconhece que, dados um estado semelhante de gosto e fantasia, crenças semelhantes e circunstâncias semelhantes, um conto semelhante poderia independentemente evoluir em regiões remotas entre si — citando como exemplo a cerâmica asteca e a miceniana no British Museum.