Jung descreve o arquétipo do deus-criança como extremamente difundido e intimamente ligado a todos os outros aspectos mitológicos do motivo da criança.
O Cristo Menino ainda vivo — que na lenda de são Cristóvão apresenta o traço típico de ser menor que o menor e maior que o maior — é exemplo paradigmático.
No folclore, o motivo da criança aparece na figura do anão ou do elfo como personificações das forças ocultas da natureza; a esse domínio pertence também o homenzinho de metal da Antiguidade tardia que habitava as minas e representava os metais alquímicos — sobretudo Mercúrio renascido em forma perfeita como hermafrodita, filius sapientiae ou infans noster.
Graças à interpretação religiosa da criança, chegaram até nós da Idade Média evidências de que a criança não era apenas uma figura tradicional, mas uma visão espontaneamente experimentada — entre elas a visão do menino nu de Mestre Eckhart e o sonho do irmão Eustáquio.
Histórias inglesas de fantasmas relatam a visão de um Menino Radiante avistado em local com ruínas romanas — aparição considerada de mau agouro, como se o puer aeternus tivesse se tornado funesto por metamorfose, partilhando o destino dos deuses clássicos e germânicos, todos transformados em espectros aterrorizantes.
Na segunda parte do
Fausto de Goethe, o próprio
Fausto se transforma em menino e é admitido no coro dos jovens bem-aventurados — o estágio larval do Doutor Marianus.
A figura do cucullatus — aquele que usa capuz, o invisível, o gênio do defunto — reaparece nas travessuras infantis de uma nova vida rodeada de golfinhos e tritões; o cucullatus significa aquele que usa um manto com capuz, e é altamente simbólico que Jean Cocteau, ao usar esse tipo de casaco, tenha instituído a moda dos jovens com capuz — eles são pueri aeterni e até vestem essa fantasia.
O mar é o símbolo predileto do inconsciente, a mãe de tudo que vive; assim como a criança está, em certas circunstâncias, intimamente relacionada ao falo — símbolo do gerador —, ela reaparece no falo sepulcral como símbolo de um novo engendramento.