A ação constante do Intelecto Agente eleva progressivamente o intelecto humano até o grau superior do conhecimento — o intelecto adquirido —, e a união mais íntima com o Intelecto Agente culmina na iluminação profética, forma mais alta de conhecimento na vida do homem.
Pela ação reiterada do Intelecto Agente, o intelecto em ato converte-se em potência habitual — o intelecto hábito
Quando essa união é muito estreita e quase constante, alcança-se o intelecto adquirido, grau superior do conhecimento humano, comparado por Ibn Sina a uma lâmpada que projeta sua luz sobre o intelecto em potência
Comentando uma passagem do Alcorão, Ibn Sina escreve que assim como o azeite pode chegar a arder pela simples presença próxima do fogo, sem que este o toque diretamente, assim também o intelecto adquirido pode realizar a atualização do que reste de potência no intelecto humano com a simples proximidade do Intelecto Agente
O grau mais alto de união com o Intelecto Agente é a iluminação profética, que pode produzir-se quando essa união se torna habitual e na qual a forma abstrata se imprime quase de um golpe — nisso consiste a profecia
A Revelação profética pode produzir-se de dois modos: pela união com o Intelecto Agente, ou por meio dos anjos — como no caso da Revelação que o Profeta recebeu de Gabriel
Os profetas são escolhidos por Deus em razão de suas qualidades e faculdades intelectuais
A Revelação não precisa ser sensível — pode ser meramente interior, como um alumbramiento íntimo do espírito útil somente para quem o recebe; apenas quando se trata de uma explicação necessária para toda a sociedade, a Revelação profética é exterior
Os profetas podem receber a Revelação de modos diversos: no sonho, escutando a voz de um anjo, ou como uma voz interior
As revelações proféticas mais altas e nobres não podem manifestar-se sensivelmente
Esse conhecimento iluminativo é o mais alto de toda a vida do homem e coroa a sabedoria e, portanto, a obra do filósofo