Ibn Sina distingue três modos fundamentais do ser — o das coisas reais, o da representação abstrata dessas coisas e o do signo intencional —, e ao tratar dos graus do ser coloca, ao lado do ser por si e do ser em outro, as negações e as privações, sendo o ser por si a substância, dentro da qual distingue a forma imaterial separada, a forma material e a matéria.
A forma imaterial é a de maior hierarquia substancial e existe sempre em ato
A forma material é substância por ser parte das substâncias que subsistem em ato
A matéria é substância em potência
Toda coisa vai acompanhada da ideia de ser, que existe concretamente como realizado ou somente na inteligência — o que não pode dar-se é algo que não exista nem concreta nem mentalmente
Uma coisa pode existir legitimamente no espírito sem existir realmente nos objetos exteriores — a essa classe de existência chama-se intencional
O não existente só pode ser conhecido enquanto concebido mentalmente, e só se lhe podem atribuir predicados negativos se previamente lhe foi conferida uma existência intencional
Ibn Sina exemplifica: quando se diz “a Ressurreição terá lugar”, atribui-se uma existência mental a cada um dos termos da afirmação, e somente depois se predica um do outro
As relações entre objetos mentais e coisas concretas são de três tipos: o ser mental corresponde-se com um objeto real; o ser mental corresponde-se com a privação de um objeto; e o ser mental corresponde-se com uma simples relação — nos três casos o ser mental apoia-se no objeto real que se afirma, nega ou relaciona