6. TEMPO PROFETAS

HCHA

VI. O tempo dos profetas ainda não terminou

O desfecho do diálogo se anuncia quando Salih explica a Abu Malik que o que ele “chama” é reconhecer a equidade divina — formulação aparentemente inofensiva, mas que na teosofía esotérica do xiismo significa que os suportes reais dos Nomes e Atributos divinos são os Imãs e os Amigos de Deus, não uma entidade abstrata.

A equidade divina não é o atributo moral de uma entidade suprema abstrata — seus suportes reais são os Amigos de Deus, suscitados como contrapesos à ignorância e à limitação humanas.

O tawil é colocado em plena igualdade com o tanzil, pois ambos têm sua fonte na revelação divina — e isso postula que o tempo dos profetas nunca está encerrado.

A requisitória de Salih contra o encerramento do tempo dos profetas apresenta toda a história das religiões como uma recorrência perpétua da mesma traição dos doutores da Lei.

A ocultação dos Amigos de Deus não é sinal de ausência da Palavra, mas consequência da perseguição perpetrada pelos que negam o ministério hermenêutico dos Imãs — e Salih responsabiliza Abu Malik por essa cumplicidade.

A pergunta decisiva de Abu Malik — “Há para mim um caminho para a vida?” — ecoa a que Salih havia formulado no início do romance, e o diálogo converge para a incorporação de todos à fraternidade ismaelita.

O autor conclui que seu relato não é uma história forjada pela fantasia, mas um testemunho da Disposição divina que estabelece a continuidade de seus Enviados — e o personagem de Salih é o herói-arquétipo da gnose ismaelita, cuja história é verdadeira por ser exemplar como uma parábola.